quinta-feira, 21 de maio de 2009
você me suga
Estes olhos frios, pretos se olham no espelho. Olhos sujos, olhos pesados de tanto cansaço. Tanto cansaço que fizeram questão de ter. Mas esses olhos brilham, e não querem se fechar jamais longe dos seus, não querem jamais que não seja pra suspirar lentamente. Os meus olhos hoje, já tão marcados pela vivência, só queriam mesmo não ter que esconder o caos que se faz por trás deles. Por trás de olhos distantes se esconde o que ninguém poderia ver nem de perto. Quando quiseram falar, estes olhos só puderam calar, quando quiseram ouvir, estes olhos só tiveram silêncio, estes olhos só souberam chorar. Agora que estes olhos só anseiam, só anseiam te ver.
terça-feira, 19 de maio de 2009
mãos dadas com a covardia
Eu só queria pegar uma carona para outro lugar, já não estou onde quero. Pouco do que tenho hoje tem alguma ligação direta com o que realmente quero ter, ser. E ter... ter é um problema. Um dos pensamentos mais antigos que carrego é o de que a gente nunca quer o que tem, uma maldição. Não! Droga! O que me desperta vontade é tão subjetivo e onírico, que me faz fugir. E sabe, eu até enxergo certa beleza na covardia.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
espera
Não sei de quem é a culpa, mas vou culpar esse sentimento de desperdício. A sua não-presença tomou muito das minhas ações. E omitindo parágrafos, e as poucas idéias que pipocaram na minha cabeça. Falta de reação. Já não correspondo à minha idade. Para falar a verdade, é ela que não corresponde mais, e perdeu a maioria do significado assim.
Os dias passam lentamente e sem serem percebidos, da mesma forma que as minhas vontades, ignoradas uma a uma. Quero falar alto mesmo sem ao menos medir as palavras, quero tirar os sapatos parar sujar as meias, quero trocar meu armário, mas mais do que tudo, quero me esquecer naquele colchão. Eu só fiquei com o medo, e não tem tempo para querer. Tenho que ficar parada, assim, nessa direção que me colocaram. Até tentei me deixar enganar, mas o lado bom é o meu lado.
Antes do antes eu precisava de quase nada. Agora deixei a melhor parte de mim para alguém longe daqui. E mesmo longe eu não consigo ficar longe. Por mais que eu esteja onde estou, eu não estou mais presente.
Os dias passam lentamente e sem serem percebidos, da mesma forma que as minhas vontades, ignoradas uma a uma. Quero falar alto mesmo sem ao menos medir as palavras, quero tirar os sapatos parar sujar as meias, quero trocar meu armário, mas mais do que tudo, quero me esquecer naquele colchão. Eu só fiquei com o medo, e não tem tempo para querer. Tenho que ficar parada, assim, nessa direção que me colocaram. Até tentei me deixar enganar, mas o lado bom é o meu lado.
Antes do antes eu precisava de quase nada. Agora deixei a melhor parte de mim para alguém longe daqui. E mesmo longe eu não consigo ficar longe. Por mais que eu esteja onde estou, eu não estou mais presente.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
pensei, ponto
As promessas são feitas para serem quebradas. E o perigo delas é essa segurança - falsa, já digo logo. Existem coisas que só cabem nas palavras, como um sentimento eterno por alguns minutos. Porém, ainda existe o que só cabe nele mesmo, e quem caiba apenas no silêncio, escondido com o medo de perder por uma frase piegas.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Por que vale sofrer?
Seja rápido, não perca tempo, chute a primeira resposta que vem a sua cabeça.
Tente agir direto no ponto crucial, seja direto, ou...
Ouça a mesma música incessantemente.
Leia aquele trecho do livro e desvende o que o deixa curioso.
Refresque a mente com doses fortes e doces da melhor qualidade.
Assista aquele filme que tanto te fez pensar sobre o sentido da vida.
Ande sozinho por aí, admirando seus gostos esquisitos.
Recomendo companhias agradáveis que lhe dê conselhos sábios.
Olhares sempre são um termômetro ágil para esses casos.
No fim das contas, você vai pensar que tudo isso foi uma bobagem, que se repetirá.
Só não esqueça o casaco, hoje faz frio lá fora.
Tente agir direto no ponto crucial, seja direto, ou...
Ouça a mesma música incessantemente.
Leia aquele trecho do livro e desvende o que o deixa curioso.
Refresque a mente com doses fortes e doces da melhor qualidade.
Assista aquele filme que tanto te fez pensar sobre o sentido da vida.
Ande sozinho por aí, admirando seus gostos esquisitos.
Recomendo companhias agradáveis que lhe dê conselhos sábios.
Olhares sempre são um termômetro ágil para esses casos.
No fim das contas, você vai pensar que tudo isso foi uma bobagem, que se repetirá.
Só não esqueça o casaco, hoje faz frio lá fora.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
A volta do subjetivo
Eu viro pro lado, me cubro, descubro, e não durmo. A janela ainda que fechada me traz vento, e eu sinto frio, um frio por dentro. Não me lembro dos sonhos, puro medo dos segredos que escondo de mim. A noite anestesia, e o dia... é só o dia. De tudo o que eu preciso, não quero mais precisar.
domingo, 26 de abril de 2009
é difícil continuar
Desliga essa porra, agora!
Não quero mais saber disso. Cansei. Meu cérebro não aguenta. Está exaurido, enxuto, seco. Como um lençol freático que murcha ao ser furado pela agulha cilíndrica de metal.
Ta demorando pra apagar porquê?
Será que vou ter que berrar implorando?
Apaga essa merda! Agora!
Ofusca demais essa visão. Me sinto carregando uma cruz de bronze, ao invés daquela de madeira que pregaram o pobre coitado que nada tinha a ver com a história toda.
Apaga. Por favor, apaga.
Da minha frente, da minha mente e dos meus olhos.
Essa luz de aleivosia que eu vejo, dentro da lâmpada das memórias. Apaga.
Preciso da escuridão de novo, para que a luz nasça novamente.
É só passar a mão pela parede e resvalar no interruptor...
Apaga? Por favor, apaga?
Não quero mais saber disso. Cansei. Meu cérebro não aguenta. Está exaurido, enxuto, seco. Como um lençol freático que murcha ao ser furado pela agulha cilíndrica de metal.
Ta demorando pra apagar porquê?
Será que vou ter que berrar implorando?
Apaga essa merda! Agora!
Ofusca demais essa visão. Me sinto carregando uma cruz de bronze, ao invés daquela de madeira que pregaram o pobre coitado que nada tinha a ver com a história toda.
Apaga. Por favor, apaga.
Da minha frente, da minha mente e dos meus olhos.
Essa luz de aleivosia que eu vejo, dentro da lâmpada das memórias. Apaga.
Preciso da escuridão de novo, para que a luz nasça novamente.
É só passar a mão pela parede e resvalar no interruptor...
Apaga? Por favor, apaga?
quinta-feira, 16 de abril de 2009
sem ponto
Título que é título não tem ponto. Vida que é vida não tem plano. Homem que é homem não dispensa uma mulher. Mulher que é mulher não vive sem comprar. Gente que é gente não tem vergonha. Amor que é amor machuca. Dor que é dor destroça. Sexo que é sexo é impossível. Carinho que é carinho é gostoso. Generalização que é generalização é mentira. Mentira que é mentira não dura. Relacionamento que é relacionamento tem você. Vitória que é vitória ganha aplausos. Derrota que é derrota é vaiada. Vingança que é vingança é fria. Abraço que é abraço é aconchegante. Orgulho que é orgulho é ferido. Eu que sou eu não sei nada de ninguém.
terça-feira, 14 de abril de 2009
citando Caio F.
"... Mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas, e lentamente falas, e lentamente calo, e lentamente aceito, e lentamente quebro, e lentamente caio cada vez mais fundo e já não consigo voltar à tona porque a mão que me estendes ao invés de me emergir me afunda mais e mais enquanto dizes e contas e repetes essas histórias longas, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba assim nem agora nem aqui".
Uso das palavras dos outros
por não saber mais como usar as minhas.
Uso das palavras dos outros
por não saber mais como usar as minhas.
domingo, 12 de abril de 2009
absolute beginners
contanto que estejamos juntos
o resto pode ir para o inferno
eu absolutamente amo você
(mas) nós somos principiantes absolutos.
- Bowie
o resto pode ir para o inferno
eu absolutamente amo você
(mas) nós somos principiantes absolutos.
- Bowie
domingo, 5 de abril de 2009
Zequinha
Costumo sorrir sozinha as vezes quando nada parece ter solução, nem que seja só para inspirar felicidade ou dizer ao universo que por mais que ele esteja o tempo todo me desconstruindo, consigo sorrir. Tanto 'ópio pra sarar a dor' criou um abismo para o encontrar-me-comigo-mesma de cara limpa. Agora ou me atiro ou busco ajuda, e esta ajuda bem ou mal, terei que buscar dentro de mim.S uponho que a enfermidade venha a tempo de refletir o quanto tento me matar pouco a pouco cada dia. Chove agora e Zeca Baleiro cai muito bem: "Consegue perceber que uma chuva, uma tristeza pode ser uma beleza, e o frio, uma delicada forma de calor".
quinta-feira, 2 de abril de 2009
sobre quem sou
Essa minha mania de estragar tudo. Por que eu simplesmente não aceito logo as coisas como elas são? Preciso ficar sempre me sabotando, para depois parar e rir no espelho. Na verdade, eu só queria ter certeza de que não sinto isso sozinha. Não posso mais viver mergulhada nessas ilusões, no perigo de me afogar a qualquer momento.
Às vezes, odeio ser desse signo. É que eu queria relaxar mais, e conseguir fazer as coisas andarem sem precisar ficar planejando a minha vida toda o tempo todo, sem ficar criando falas que ninguém nunca irá interpretar. Tenho que divorciar as expectativas da minha cabeça, parar de abraçar o pessimismo, e largar mão de me conformar com a montanha de coisas que tive preguiça de consertar. O que mais me cansa, é estar cansada.
Quer saber o que eu queria mesmo? Conseguir dormir agora e pensar em nada, sonhar com algo que não faz parte dessa minha vida, e acordar amanhã plena. Queria voltar a ter vontade de correr, mas me sinto estagnada demais para isso. Acho que preciso parar de ficar querendo tanto. Droga! Devo ter enlouquecido.
Às vezes, odeio ser desse signo. É que eu queria relaxar mais, e conseguir fazer as coisas andarem sem precisar ficar planejando a minha vida toda o tempo todo, sem ficar criando falas que ninguém nunca irá interpretar. Tenho que divorciar as expectativas da minha cabeça, parar de abraçar o pessimismo, e largar mão de me conformar com a montanha de coisas que tive preguiça de consertar. O que mais me cansa, é estar cansada.
Quer saber o que eu queria mesmo? Conseguir dormir agora e pensar em nada, sonhar com algo que não faz parte dessa minha vida, e acordar amanhã plena. Queria voltar a ter vontade de correr, mas me sinto estagnada demais para isso. Acho que preciso parar de ficar querendo tanto. Droga! Devo ter enlouquecido.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
pra que perguntas?
Desiste de vez da minha mão, se sou só eu que seguro na sua. Não existe mais reciprocidade, não existe mais nós dois. Existe eu e você, separadamente. Quando o amor começa a desbotar, ele não pára. E desbota, e desbota, e desbota, preto no branco. Perdeu suas cores e seus sentidos. Perdeu as esperanças e as boas vontades. Você se perdeu no caminho pra casa. Eu me perdi completamente.
Onde você esteve nesse tempo crucial? O que você estava fazendo? Com quem você andava? Porque eu ainda pergunto? Pedidos ajoelhados nem se quer foram considerados.
E eu querendo que você cuide de mim, se foi eu quem me deixei descuidar.
Cansei, abrir mão de algo já sem valor é mais fácil do que continuar jogando pedras na minha própria ferida. Não entenda, como sempre. A culpa é sua, mas é mais minha.
Eu te amo.
Onde você esteve nesse tempo crucial? O que você estava fazendo? Com quem você andava? Porque eu ainda pergunto? Pedidos ajoelhados nem se quer foram considerados.
E eu querendo que você cuide de mim, se foi eu quem me deixei descuidar.
Cansei, abrir mão de algo já sem valor é mais fácil do que continuar jogando pedras na minha própria ferida. Não entenda, como sempre. A culpa é sua, mas é mais minha.
Eu te amo.
sábado, 28 de março de 2009
você
agora me dedico ao teu olhar,
a te olhar e ser olhada.
me dedico as tuas mãos sensatas e quase perigosas.
a suas risadas á toa,
chegando sempre a mostrar os mais lindos dentes.
as suas roupas pouco folgadas que dão margem para a imaginação
e a camisa sem bolsos dobrada no braço.
os cabelos na testa e a barba por fazer,
como que já nao ligasse para um corte.
quando eu era menina, sonhava com você
sendo assim...
não era sonho, era só um pensamento longe
de que eu podia viver assim.
viver... só de olhar de você.
a te olhar e ser olhada.
me dedico as tuas mãos sensatas e quase perigosas.
a suas risadas á toa,
chegando sempre a mostrar os mais lindos dentes.
as suas roupas pouco folgadas que dão margem para a imaginação
e a camisa sem bolsos dobrada no braço.
os cabelos na testa e a barba por fazer,
como que já nao ligasse para um corte.
quando eu era menina, sonhava com você
sendo assim...
não era sonho, era só um pensamento longe
de que eu podia viver assim.
viver... só de olhar de você.
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