Eu gosto de escrever durante a noite. Vou mudar, a luz do dia fez a lucidez apagar a nebulosidade em frente de tudo que existe. Olho para os lados. Não entendo o que a TV faz ligada. Talvez alguém estivesse ali. Foi embora sem se despedir, do mesmo jeito que chegou. Eu acordo e me sinto sozinha. Segurando firmemente meu travesseiro e os cobertores que me afastam do frio - e um pouco da soledade. Me vem a certeza de um lugar estranho. E essas pessoas não me entendem. Eu tento o meu melhor, até eles ficarem sem perguntas. Sacrifico tanto da minha vida para que isso funcione. Sim, talvez eles se esforcem também. Se eu fosse corajosa, fugiria. Só preciso de um lugar tranqüilo. Longe de casa. Um lugar onde não seja necessário esconder meus sonhos debaixo do colchão. Parece covardia. Mas já tem coragem naquele que sonha. Talvez isso baste. Acho que vou beber até morrer, beber a noite inteira. Ah, são pequenas coisas que me fazem falta, como acordar totalmente sozinha, sozinha de verdade. É, acabei de ouvir as notícias de hoje. E seguro minha vontade de chorar. Saiu sem se despedir, não tinha ninguém ali. Sentada na calçada. De volta onde as horas duram. O quanto mais longe você olha, mais longe você estará. São objetivos demais para medir o meu valor. Eles estão em busca do ouro.
Se nada é aventurado, nada é aprendido.
Apesar das probabilidades estarem contra, em tempo, eu ainda vou tirar meus sonhos debaixo do colchão. É como é para ser. Negligentemente crescendo, já passou da hora de eu ir embora.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
não ganhe cor, não, por favor
Queria que chovesse, e que a chuva te tirasse do meu cabelo. Acho que você assistiria as gotas escorrerem pelo vidro da janela do seu quarto. Não quero te topar pela rua, não quero que você me veja de pijamas. Preciso do espaço que você ocuparia na minha cama, preciso do ar que você me tiraria com seu beijo. Se eu ficasse, desapareceríamos aos poucos.
domingo, 5 de julho de 2009
vamos chamar de desabafo, então
Eu não sei... Parece que virou um hábito começar um parágrafo com um "eu não sei". É claro que eu sei. Pelo menos, eu sei muito bem tudo o que estou sentindo. Não acredito que um desabafo caiba aqui nesse blog, talvez eu nem tenha algo muito poético para dizer. Mas ainda assim são palavras, não é mesmo? E não tenho idéia de quanto tempo faz que não seguro em uma caneta, pra valer. Parece que fiquei assustada demais para falar claramente tudo aquilo que quis - e não duvido que esse seja o real motivo da minha garganta estar inflamada, já que um mundo de coisas queimou aqui dentro enquanto acobertadas pelo silêncio - E eu me sentia tão sortuda! Afinal de contas, tudo se ajeitou na faculdade, tenho saúde, e blá, blá, blá. Eu me sentia muito sortuda até a minha menstruação começar a atrasar, até a TPM estendida tomar conta de todos os meus ataques de duvidas e fúria que prefiro reservar ao meu quarto, a mim mesma e um pouco ao namorado (acredite, um pouco), e claro, até ter perdido aquela segurança de estar fazendo o que é certo porque não fechei a droga do meu bolso direito. Se ao menos eu conseguisse aprender a fechar meus olhos direito, e me deixasse ver somente o que eu consigo suportar, juro que nem ligaria para essa segurança! E de vez em quando, algumas coisas que eu escuto, doem tanto que chegam a ensurdecer meus ouvidos, a ponto de que eu apenas escute os meus próprios medos e maus-desejos, que acredite, não mudaram muito, acho que não mudarão nunca.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
goteira
Não sei... parece que um dia a verdade escorreu do teto e caiu bem na minha testa, virou uma goteira, e ficou lá, pigando por semanas, anos, a porra da minha vida inteira! Isso enquanto eu tentava ignorar essa dor de cabeça chata. Ela nunca passou. Fiquei seguindo os passos deles como uma criança que se perde dentro de um supermercado. Não queria admitir, nem acabar como eles. Só não queria acabar.
domingo, 28 de junho de 2009
pelos ares
Eu acho que ainda não aprendi como te dizer, é que esse silêncio sentou ao nosso lado desde o começo. Eu não sou do tipo que sabe adivinhar. Esse foi o mais perto que eu já cheguei de jogar tudo pelos ares por alguém. Por favor, ajude-me a esquecer da prudência. Cansei de ficar empregando meios - inexistentes - para colocar meus sentimentos dentro de uma fôrma racional. Eles simplesmente não são assim. Eu não sou assim.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
aleatório
O relâmpago é o dia querendo invadir a noite. Eu bato a caneta da carteira na tentativa de fazer melodia com as palavras. Chorar de alegria é final da linha refazendo começos. Meu nome de verdade contradiz a foto da minha identidade, os meus passos são impressões digitais e não o meu dedo no carimbo. Cansei de gente com cara de retrato, cansei de acordar no meio do dia, cansei da noite e preciso ver o clarão que é a vida.
sábado, 20 de junho de 2009
questão de paixão
Os dois não sabiam se conquistar de jeito que fosse ao mesmo tempo. Antes ele quis dos olhos da garota toda a erupção de seu jeito. Em sua posição de mulher foi difícil até que a nuvem não agüentou e derramou do céu todo aquele mar de lágrima misturado com o seu beijo diferente. Garoto que faria qualquer coisa por aquilo só teria quando não o quisesse mais. O mundo ao redor mal sabia dos caminhos que juntos os dois traçaram - parecia que se alguém descobrisse a mágica de nada valeria. Acostumada com aquilo, ela foi dançar para outros lados, dava e retirava como manda a lei natural dos amores. Urbana e iludida, cansava de esperar pelo o terceiro dessa história. O cenário não mudava, beijava-os no mesmo lugar, cada um no dia que o outro se ausentasse. Quando o fio de uma marionete se desmontava puxava a da outra e nunca ficara sozinha no palco. O personagem que não é o principal foi viver uma história de amor verdadeira e dita ao mundo todo. A garota só aceitou. Sobram então duas personagens. Há neste instante uma passagem de tempo, mudam-se as estações climáticas e a do rádio. O todo apaixonado se conforma e como última tentativa em sua desistência nunca declarada, foi amar outros olhos, outra boca, outro lindo sorriso de outra personagem que tem nome – mas que não aparece na peça da autora. Pode-se tocar uma melodia de transição. O menino de um extremo no palco joga um pedaço de pano vermelho simbolizando o seu amor á ela. Ela o recebe e os papeis se invertem – mas o público não deve perceber. No fim, enquanto os espectadores esperavam que a vilã da história se desse mal (como de habitual) ela simplesmente ficou parada e olhou para a boca de cena e viu que um quarto olhar que a prendia a prendeu de vez. Temo não ter sido clara: há na história um conto de quase amor dos dois dos personagens principais. Que de inicio ele a amava e que com o decorrer dos acontecimentos ela foi atrás de querer ele de verdade. As verdades dessas páginas querem dizer que as duas falas principais nunca foram ditas juntas e ao mesmo tempo. De cada um sobrou um drama, uma peça separada da outra. Atores e personagens foram viver diferentes experiências a fim de um dia compartilharem do mesmo monologo.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
A la carte
Uma gota de perfume na ponta de seus delicados dedos, envolvidos na luva de seda lilás. Atrás das orelhas o cheiro, na frente deles um brinco de brilhantes esculpido por Deus. Arruma-se bem aquele que tem por quem se arrumar. Fita-se no espelho e ensaia o discurso de saudade, descobre os olhares que mais funcionam e se sente completamente amada. Encontro para as 10, debaixo da lua e acima das estrelas, restaurante caro e um gole de vinho para ir mais além. Ele chega, portando em sua mão esquerda uma aliança gigante que representa – pelo o que sabe – o amor incondicional, e uma união além da física. Ela se deparou com o modelo que não tinha igual em suas mãos, as mesmas mãos que ele apertava, beijava e dizia que eram as mais lindas do mundo. O espartilho em baixo do vestido começava a pressionar seu coração contra ela mesma. O ar faltava, a dignidade repudiava e os mandamentos não permitiam. Tentou se desligar do terno de linho que ele vestia elegantemente, da barba cerrada que na cama lhe era divindade e das promessas que a sua mão esquerda negavam. Levantou, deixou a cadeira cair e entendeu que aquilo não era direito dela. Andou de costas e pediu desculpa em lágrimas, anos de traição e um sentimento de culpa para o resto dos dias.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Perdendo a garantia
Perdeu o ônibus por alguns segundos, e se perdeu de alguém por um pouco de distração. E nem fazia qualquer diferença saber de tudo, quando se acostumou a fingir que não sabia de nada. Quem ela deixaria que partisse seu coração? Ninguém diria que não é chegada à hora de prender-se na perda da consciência do individual. Era tudo uma questão dela mesma, que ela mesma não fazia a mínima questão. Depois que amarrou seus cadarços e enfeitou alguns pensamentos, deixou que seus olhos se esparramassem pelo chão, desejando esparramá-los pelo rosto de quem realmente gosta. Quer correr atrás do atraso, porque não suporta esperar, mas também não sabe desistir. E o medo de ser egoísta demais para aceitar que talvez o melhor seja mesmo alguma coisa totalmente diferente, abraçou-a por trás. Como já sopraram aos seus ouvidos, é muito difícil abandonar um ideal.
terça-feira, 9 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
copo meio vazio
Estou seca - disse ela - seca de palavras.
O álcool começou a conquistar as veias, logo menos, alcançaria o sangue. Olhou para a rua na frente do bar, como se pedisse ajuda muda com os olhos, e o mundo não quis parar lá fora. Um rapaz passou de skate tão rápido que não se percebeu os detalhes.
Mas ele usava uma boina bege - pensou ela.
Um brinde, dois, três, quatro garrafas. Todos às drogas, ao sexo, ao amor inexplorável, inexplicável, inesgotável... E ela ainda sofre com a falta das palavras. Onde foi parar sua prática? Os pulsos tremem, é o coração pulsando forte.
So hard! - ela grita, ninguém ouve, ninguém liga.
Tropeça em goles, tragos, estragos. O buraco que ela cava não é tão fundo quanto sua cova, levaria outros tantos anos. Vamos deixar que o passado cante por ela as músicas que ela gosta porque ele adora. Só ele, e ele, e ele (...)
Depois outros tênis sujos de barro marcarão o mesmo caminho, abraçando o destino cansado e as mãos suadas. E ela só parará quando o sol desistir de nascer.
Ela sabe, mesmo que neguem e contestem: as melhores palavras ainda estão com ele. Quanto ciúme por nada! Ou tudo! Um perfeito que o mundo das garotas querem devorar. Nasce o orgulho. Se ela ficasse rica em um mês não saberia como gastar sua riqueza, e mesmo pobre, sente-se exatamente assim. Acontece que ele colore o mundo cinza dela, poluído, cheio de ruído... Tudo que coloca charme no urbano. Ela vai escorregar nas roupas do rapaz de perfume unitário. Ele é ele e mais ninguém.
O álcool começou a conquistar as veias, logo menos, alcançaria o sangue. Olhou para a rua na frente do bar, como se pedisse ajuda muda com os olhos, e o mundo não quis parar lá fora. Um rapaz passou de skate tão rápido que não se percebeu os detalhes.
Mas ele usava uma boina bege - pensou ela.
Um brinde, dois, três, quatro garrafas. Todos às drogas, ao sexo, ao amor inexplorável, inexplicável, inesgotável... E ela ainda sofre com a falta das palavras. Onde foi parar sua prática? Os pulsos tremem, é o coração pulsando forte.
So hard! - ela grita, ninguém ouve, ninguém liga.
Tropeça em goles, tragos, estragos. O buraco que ela cava não é tão fundo quanto sua cova, levaria outros tantos anos. Vamos deixar que o passado cante por ela as músicas que ela gosta porque ele adora. Só ele, e ele, e ele (...)
Depois outros tênis sujos de barro marcarão o mesmo caminho, abraçando o destino cansado e as mãos suadas. E ela só parará quando o sol desistir de nascer.
Ela sabe, mesmo que neguem e contestem: as melhores palavras ainda estão com ele. Quanto ciúme por nada! Ou tudo! Um perfeito que o mundo das garotas querem devorar. Nasce o orgulho. Se ela ficasse rica em um mês não saberia como gastar sua riqueza, e mesmo pobre, sente-se exatamente assim. Acontece que ele colore o mundo cinza dela, poluído, cheio de ruído... Tudo que coloca charme no urbano. Ela vai escorregar nas roupas do rapaz de perfume unitário. Ele é ele e mais ninguém.
domingo, 7 de junho de 2009
um parágrafo
Quando fogem as palavras da boca e os sinônimos não dão conta do significado verdadeiro; na falta de coragem, ou de voz; na ausência física, na ausência de destreza no improviso - ainda sobram as letras. A diferença está no poder de planejar, na estratégia de colocar as palavras certas na sua ordem favorita. É como medir a reação dos outros e determinar o que seus olhos poderão ler. Escrever é como filtrar idéias.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Sinônimo da mesma coisa
Sorriu para o chão como se sentisse vergonha e continuou andando. O sol aparecia, mas a sombra ainda segurava o frio. Foi então que ela, aversa à mudanças, quis voltar. Saiu pela porta dos fundos, disse que fugia da rotina. Mas ela estava lá, ela ainda estava lá.
domingo, 24 de maio de 2009
sobre minha desesperança
Sou livre: já não me resta nenhuma razão para viver, todas as que tentei cederam e já não posso imaginar outras. Ainda sou bastante jovem, ainda tenho força bastante para recomeçar. Mas recomeçar o quê? Só agora compreendo o quanto, no auge de meus terrores, de minhas náuseas, tinha contado com alguém para me salvar. Meu passado está morto. O Sr. Ilusões está morto, este só retornou para me tirar toda a esperança. Estou sozinho nesta rua branca guarnecida de jardins. Sozinho e livre. Mas essa liberdade se assemelha um pouco à morte.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
sobre a caixa vazia
Essa caixa vazia se assemelha ao estado de minha alma hoje. Essa caixa tão bonita por fora, tão bonita por dentro, mas vazia. Essa caixa cheia de nada. Essa alma tão bem cuidada por fora, pra que ninguém lhe fira, tão bem cuidada por dentro, pra quem adentrar não querer adentrar tão fundo. Cada porta da alma trancada com cuidado. Hoje minha alma parece um corredor cheio de portas. Fechadas. Hoje minha alma é vazia como essa caixa.Tão bela pela certeza de existir, e pela mesma beleza displicentemente arrogante de existir tão cheia de solidão.
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