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terça-feira, 13 de outubro de 2009

sobre o medo

Não sei. É que eu estou assustada há tanto tempo, que me esqueci do quanto estou assustada. Essa coisa de ter aquilo que me faz bem não costumava ser parte do meu dia-a-dia. Era raro, quase impossível. De repente, entrou na minha vida tão rápido e sem jeito, que eu me assustei. Estou assustada até hoje. Assusta-me meu medo e o modo que você reage ao seu. Como já reagiu. Como as coisas vivem assim? É realmente assustador... Como o ser humano pode conviver com dores tão intensas, conviver com o orgulho ferido, conviver assustado dessa maneira, e continuar a conviver, mesmo depois de tanta história, passando por cima de toda a rotina e tédio e lágrimas e mentiras e decepções e mágoas e dor, dor e mais dor... Como pode continuar querendo e sorrindo e sentindo falta e desejando e, amando, sendo assim tão assustador? Eu não sei. Não sei. Pra mim, ser feliz é a coisa mais aterrorizante do mundo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

desabafo quase em palavras desconhecidas.

Não deixe quebrar, não deixe romper, não deixe virar grafite envelhecido e esquecido. Corra e cole os pedaços, corra e segure meus pés no chão porque eu estou quase voando, ou me faça voar novamente com você. Por favor, não espere o sanduíche ou a festa do ano, não espere a minha próxima assoada de nariz e a minha cara assustada perdida na sua ausência.
Venha logo, traga de volta a minha certeza, não deixe, por favor, não deixe. Traga um agasalho para esquentar a minha falta de amor e ganhe em troca um ingresso para a minha fidelidade. Não espere o horário do trânsito livre, não espere ouvir o que você não quer, não espere a vida dar merda para colocar a culpa na vida.
Eu ainda estou aqui por você, limpa, ilesa, sua. Mas cada milímetro do meu corpo me implora por vida, por magia, por encantamento. Por favor, me roube, não deixe, não esqueça do nosso pacto em não ser mais um daqueles casais que continuam juntos por inércia e reparam tristes nos outros.
Outro dia ouvi aquela musica e lembrei do quanto te amava. E eu lembrei que enxergar sem pretensões você dormindo, com o seu ombro caído pra frente fazendo bochechas de criança na sua cara feliz, é a visão do paraíso pra mim.
Eu preciso de força, eu preciso de ajuda, eu preciso que você me lembre de que eu não preciso de mais nada, que mais nada é tão perfeito e que podemos ser um casal imbatível.
Caso tudo isso seja um trabalho inconsciente para me perder, você está conseguindo. Mas se ainda existir dentro de você alguma esperança, eu preciso demais que você me abrace e me faça sentir aquilo novamente. É fácil, basta você querer, eu ainda quero tanto.
Venha agora, não espere o músculo, a piada, o botão, o calo, a saudade, o arrependimento, o vazio, a coragem, a chance, o medo. Eu preciso sentir que você ainda sente, eu preciso que o seu coração dê um choque no meu, eu preciso saber que seu peito ainda aperta um pouco quando eu vou embora e se espalha como borboletas nas veias quando eu chego. Eu quero que você grite dentro da minha cabeça que não precisamos disso e que, por alguma razão, quando a gente se afasta a dor é maior do que todo o mundo que nos espera.
Eu ainda preciso que você me ache bonita, se surpreenda, me comemore e esqueça um pouco de todo o resto pra se encantar sem medo do tempo.
Não me tire a razão, não me tire a honra, não me faça estragar tudo só para sentir o vento na cara de novo e a música alta. Berre e assopre em mim enquanto é tempo.
Venha agora, ganhe a corrida, passe todo o resto pra trás.
É você quem eu continuo eternamente esperando na linha final.'

briefly

'In time, I'll belong to you.
That's how it's meant to be,
And how it's always been.'

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

...então ela rasgou este pedaço de papel.

Querido,

a verdade é que nos recuperamos do vicio de viver entrelaçados.
Os carros não atravessas mais o reflexo de nossas mãos dadas, não flutuamos e nem rastejamos. Somos nada. Mergulhamos juntos em mar azul e voltamos à margem do esgoto, sem alegria alguma nos separamos. Fomos feitos para o mundo, sabe disso, mas vez ou outra algo me emociona, e meu amor sem esperança por você toma as páginas dessa carta, e agora...

sábado, 3 de outubro de 2009

incomensurável

É muito, muito sentimento mesmo. Que dissipa, que transborda, que sobra. Que falta, que quer. Que sim. Que não. Devasso, destrutivo e contido. Demasiado, excessivo e descomedido. Imoderado. Disparatado. Resguardado.

E deve continuar assim.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

destino

Entende que quando as coisas têm que ser a gente não precisa fazer nada?! Tudo que faremos, será feito sem esforço, sem perceber, naturalmente, seguindo o fluxo. A sincronicidade está aí, independente da gente acreditar ou não. É uma grande bola - ou quadrado, ou triangulo, não sei. Mas está ai, funcionando. Seja a mil ou a dois kilometros por hora. As coisas já nascem entrelaçadas e muitos acontecimentos estão fora do nosso alcance, não podemos fazer nada contra ou a favor. Se aconteceu, era pra acontecer. Se entrega, vive e entende: o fato de nós parecermos pequenos comparados ao universo, não significa que sejamos insignificantes.



O mundo inteiro é uma coisa só.

[eu acredito em destino quando me faz bem acreditar]

domingo, 27 de setembro de 2009

sem planos para amanhã

Ele andava com os olhos marejados de ondas secas. Fez o molhado chover e escorrer quente pelo o seu peito confuso. Os anéis, as toucas, os casaquetos de lã estocados aos montes nas gavetas de uma casa de poucos comodos, de uma rua manjada, de uma cidade ingrata e um casamento feito como um pedaço de papelão que aos poucos se desmancha na enchente.

Buscava nos pensamentos cansados a matriz do problema, a raiz podre de uma árvore que jamais daria frutos: o ventre daquela mulher não receberia o gene daquele homem.

"Jamais colocaria alguém nesse mundo". Cruel e definitivo.



Já ter se colocado no mundo era demais.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

como tudo ultimamente,

um impulso preciso.

Legião Urbana - Tempo perdido
[levemente modificado]


Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou.
Mas tenho muito tempo. Tenho todo o tempo do mundo.
E todos os dias, antes de dormir lembro e esqueço como foi o dia.

Sempre em frente. Não temos tempo a perder.

Veja o sol dessa manhã tão cinza.
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos, castanhos.

Então me abraça forte, e diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo.


Tenho o meu próprio tempo.


Temos nosso próprio tempo.


O que foi escondido,
é o que se escondeu.
E o que foi prometido
ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido
somos tão jovens...



Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

egoísmo

O que tem dentro de mim
o que tem de essêncial dentro de mim [e dor]
os meus maiores segredos mesmo [e mais caóticos]
são meus, só meus [por serem intoleráveis por alguns além de mim]
e eu não divido com mais ninguém.
[e você sabe, você não teria lido isso se nós não quiséssemos]


[eu nunca desejei ser compreensível]

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Não espero nenhum olhar, não espero nenhum gesto, não espero nenhuma cantiga de ninar. Por isso estou vivo. Pela minha absoluta desesperança, meu coração bate ainda mais forte. Quando não se tem mais nada a perder, só se tem a ganhar. Quando se pára de pedir, a gente está pronto para começar a receber. O futuro é um abismo escuro, mas pouco importa onde terminará a minha queda. De qualquer forma, um dia seremos poeira. Quem é você? Quem sou eu? Sei apenas que [estivemos] no mesmo barco furado, e nosso porto [era] desconhecido. Você tem seus jeitos de tentar. Eu tenho os meus. Não acredito nos seus, talvez também não acredite nos meus próprios. Não lhe peço que acredite em mim."


Caio F.

domingo, 20 de setembro de 2009

solta

Porque estar com alguém e ter alguém é maravilhoso. Mas dá trabalho e eu complico demais as coisas. Relacionar ainda é um verbo difícil pra mim e eu preciso parar. O meu coração só diz isso. Pára um pouco. Deixa um pouco. Vive um pouco. Vive por você.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

escuridão ilícita

Olhos bem fechados. Havia regras, dentre elas jamais desvendar a cor do olho do outro. Na escuridão as formas tomavam o que minha mão preenchia e nada mais. Nada de aspectos premeditados ou ensaiados, apenas a clarividência do negro. Cabelos soltos, pés descalços, sem nenhum tipo de amarra além das pessoais e secretas. Fui arrastada e a minha calça me fazia deslizar entre outros corpos, que os descobria apenas pela temperatura, a respiração e os estímulos de cegos. Nota por nota, a música nos levou a um cheiro novo. O cheiro nos levava a uma forma de pegar, de acariciar, abraçar, beijar e desmoronar no outro. O primeiro tinha a barba cerrada, a altura equivalente a minha e o jeito mais gostoso que alguém já pegou nos meus cabelos. Deslizou as mãos da minha nuca até o último fio. Trouxe-me para cima. Quis sentir que essência eu trazia, mesmo que manipulada por sabonete e perfume do boticário. Ainda era naturalista, ainda éramos um só. Perdi o tempo que passou. Não lembrei quem ele era, o que fazia, se tinha namorada e qual era a cor dos seus olhos. Esqueci que o via todo dia, esqueci sua idade e até seu sexo. Esqueci o realismo social, esqueci da sua postura, esqueci. Tirar ele de mim foi difícil, enquanto eu estivesse de olhos cerrados não podia ver mais ninguém. Ele. E até o momento do segundo final, antes de abrir os olhos era ele que pulsava dentro de mim. Mas depois os meus olhos se abriram e eu voltei a ter um nome, e um jeito politicamente correto de existir.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

deixo que falem por mim

"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..."

C. Lispector

domingo, 13 de setembro de 2009

Me?

-Você tem um cigarro?
-Estou tentando parar de fumar.
-Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
-Você tem uma coisa nas mãos agora.
-Eu?

-Eu.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

deixa|r

O Sol se manifestava sobre a minha meia de lã,
e de tão quente queimava a minha pele.
Ardeu por horas até que tirei a meia
e as pernas brancas respiraram a liberdade.
Enfentei os cabelos com borboletas pretas.
Voando.
Outra pessoa, outra semana.


Me sinto fresca agora.