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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

no piscar da folha que cai

Se passa tanto tempo desejando a mudança que não se vê ela acontecendo. E quando se vê, estamos lá, com a nossa mão esquerda cruzando os dedos da mão direita de uma nova pessoa dentro daquele carro diferente, dirigindo em uma rua que a pouco tempo atrás você não conhecia, vindo de uma casa que a pouco tempo atrás você não frequentava e indo pra uma casa que a pouco tempo atrás não era a sua. Mas agora é. Nem café você toma mais, agora é chá. De camomila, erva doce, verde, leão. Cada dia prova um sabor novo pra adicionar a coleção.

Tudo muda, tão rápido, e a gente não nota. Mas, nesse de repente, desse piscar de olhos de quando aquela folhinha morta bateu no para-brisas do carro e você foi apreciar ela voando… é ai que você vê tudo novo, tudo lindo de novo. Outro capitulo pra você viver, novinho em folha. Várias e várias folhas branquinhas te esperando, num capítulo que você tem a chance de fazer tudo diferente. Mais claro. Mais limpo. Mais bonito. É, um capítulo novinho em folha… daquela folhinha que morreu e caiu pra outra folha novinha nascer no lugar dela.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

da antecipação

Deitou-se no chão - para que não houvessem quedas - e naquele dia, chorou. Apenas isso. Deixou que escapassem dos seus olhos tudo aquilo que sonhava em não ver. Quando um momento era muito bom, já imaginava como seria a falta do que ainda tinha. Faltava-lhe as coisas que tinha; que tinha distante. E as que quase não tinha; já não tendo.

domingo, 27 de maio de 2012

Só, assim - parte 2

Sem Sentidos

[...] guardando um ultimo suspiro, um ultimo impulso pro fim que se anunciava como uma nova tentativa de começo. Abrindo os olhos, mostrava as pupilas para alguém que a olhava por entre a alternância do obscuro e da luminosidade que incindia nos poros, nos pelos. Que invadia os cantos mais secretos, trazendo às mãos a vontade de dar carinho, trazendo à boca o desejo de receber um convite, quiçá, uma invasão. Chegando a manhã, os músculos relaxados, o cérebro oxigenado, os pulmões expandidos, pensara em dar mais uma chance a vida.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

com Sol e Lua no céu

A caixinha estava aberta de linha e agulha para celebrar a ocasião: haviam devolvido o meu coração, envolto em um pano branco e neutro. Assim, sem nenhuma digital, ninguém sabia por quais mãos ele havia transitado.

da arte do amor

“(...) Ele veio e não tornou nada fácil, e nem difícil. Não veio como alguém que entra na sua vida pra fazer a diferença. Não veio como quem fica, senta, se acomoda. Nem como quem vai e deixa um rastro de saudade e destruição. Não veio pra ser minha primeira opção, ou segunda, ou última… Ele simplesmente veio e subitamente se tornou minha própria vida. Nunca foi uma opção, porque ele chegou e não me deixou outra opção a não ser amá-lo com tudo que tenho, com tudo que tinha, e com tudo que ainda teremos.”

domingo, 13 de maio de 2012

Olhar fundo e ver você até você me olhar fundo e me ver

Você não tem nem ideia do tanto de coisa que cabe dentro do meu olhar. Todas as palavras que tem em cada micro pedacinho dos desenhos que rodeiam minhas pupilas e lá dentro delas. E sabe menos ainda das palavras que eu queria dizer com a boca, mas só existem aqui, nessas esferinhas que me apresentam ao mundo, e a você. 
E é por acaso possível você saber de tudo que penso e que quase penso e do que nem cabe nos meus pensamentos quando olha no buraquinho negro que tem nesse meu globo ocular? É possível você saber, algum dia, do desejo imenso que minha retina tem de saltar pra fora de mim e te prender aqui dentro, pra eu nunca mais parar de te ver e de me ver nesse espelho que tem aí em você?

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Só, assim

Depois a noite atrofiava os músculos, depois o tédio atrofiava o cérebro, e foi assim, depois que o pulmão virou fumaça. Bem, não era nada, nem era alguém. Já não era. E se fosse, no vai e vem dessas idéias cansadas, qualquer um perderia seus sentidos. Ia dando descaso à vontade de falar, fechando-se à vontade de ouvir, mostrava as pálpebras para não olhar, deitava de bruços para as palmas não tocar. Depois se afogando na preguiça, no mar de sono posto um travesseiro, foi o fim. Dormindo um tempo que não tinha, desistindo de desistir da desistência.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

pontofinal

Encontrar os pontos finais das minhas histórias. Virar a página. Mudar o livro. Trocar de autor. Pôr outro filme. Ver nova série. Novo diretor. Escolher outra rádio. Ouvir um novo estilo. Outro locutor. Loucutor. Louco tô, quem sabe. Mas se não encontrar o ponto final, faço um aqui. Aqui.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Reescrevendo: Quebra-cabeças

Porque a vida sempre foi um quebra-cabeças. Vários pedacinhos que se encontra por ai pra tentar encontrar a imagem que é você. E cada pedacinho que se acha, te modifica.
Mas, um dia, do nada, a gente sente que todo aquele desenho que vem se formando a tanto e tanto tempo, mudou. As peças que você ja conhecia tão bem, querem se encaixar de forma totalmente diferente dessa vez. Querem montar alguma coisa mais bonita.
E, agora, eu só estou aqui, tentado montar alguma coisa bonita. Um quadro novo, desses de deixar na parede. Às vezes a gente demora para se encaixar, mas é só sair, respirar fundo, olhar tudo quase que de longe, que as coisas encontram o seu lugar, assim, bem aos poucos…

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

a quanto tempo


E eu senti de novo a tal da esperança. Nada mudou. Mas ela veio mesmo assim. Foi como se eu sentisse quase que literalmente uma rosa se abrindo do lado esquerdo do peito. E agora eu tenho um sorrisinho no canto da boca, e vejo o futuro com um brilhinho no olhar.
Nada mudou, a não ser eu mesma. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Era uma vez duas vidas.

Um dia se encontraram e se acharam mais bonitas juntas,
e viveram e viveram até que viraram uma só. O vento veio.
A tempestade veio. Essa vida caiu, e, como cristal, quebrou.
Se partiu em vários pedacinhos.
Ficou difícil juntar os pedaços em uma vida de novo,
ou em duas, que seja. Pedaços se perderam,
e os que se acharam não se encaixam mais.
Não juntam mais.

E não tem cola que aguente.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

o último gole


E lá se foram... milhões de lagrimas por frase.
Não as ultimas lagrimas. Mas as ultimas frases.
Hora de crescer, e ver o que mais a vida pode ser.

Ou não.

Deve-se cobrir esse buraco antes, com qualquer coisa.
Qualquer coisa, já que não é você.
Esperando que você seja qualquer coisa, um dia.

Um problema: o duplo sentido que essa frase tem. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

alimento diário

E você vê aquela pessoa que te faz falta em todo lugar que vai e que passa. Você a vê no brilho dos olhos de qualquer um que te encare, por qualquer fração de segundo. E então você acredita. Você acredita que é real. Você acredita… Pra poder sentir a presença daquela pessoa. Acredita pra poder ter algum momento valido no seu dia. Acredita, mesmo sabendo que é tudo mentira.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

uma história com firulas

Ele nunca soube explicar como, nem onde e muito menos o porque. Simplesmente aceitou aquela sensação acalentadora em seu peito. Era reconfortante. Uma serenidade inigualável. Nunca antes experimentada por ele.
A história era antiga. Um passado tinha existido antes deste reencontro final e agora mais perfeito e objetivo do que nunca. O que ficou para trás marcou-o profundamente, não por ter sido ruim. Longe disso. Mas justamente por tê-lo feito feliz em algumas trocas de saliva e cruzar de braços às costas.
Ela era muito pra ele no momento. Sempre o foi. E mesmo agora, continua sendo tudo além do que ele merece. E assim sendo-a, ele busca agradá-la em todos os sentidos, embora ela muitas vezes dizendo que não é necessário. Mas ele pensa: "Ela é perfeita! Tem todas as qualidades e os defeitos que tornam ela justamente a síntese dessa palavra. Não tem sentido não esforçar-me para fazê-la feliz."
O tempo passou e o passado só vem a confirmar o que ele havia dito à ela um ano atrás.
Não foi olho no olho, cara a cara. Ele tinha vergonha de expressar-se na época, então as maiores e mais lindas declarações de amor eram postas em letras digitais, que iam tomando forma com o metralhar de dedos nas teclas empoeiradas e já desgastadas pelo tempo e uso frenético de suas mãos.
As cartas virtuais nunca foram lidas por ninguém, nem mesmo por ela, a dona de seu coração e musa inspiradora de tais parágrafos.
O dia iria chegar e tais contrações de letras teriam um sentido maior do que na época. Mais transcendente. Seriam verdade. Além do absolutismo e do próprio entendimento dele.
Ansiosamente, ele recusou e esperou. E esperou. Sem preocupar-se. No fundo, algo tinha mudado para ele. As cores tinham tomado novas formas, a simplicidade que ela tinha no olhar, nos gestos. Tudo afetou. Tudo parecia certo. Mas não no tempo certo. A hora era errada. Os destinos tinham pregado uma peça. E não fora das boas.
A desolação foi instantânea ao ler as seguintes palavras: "mas me PROMETE que não vai mais esperar nada de mim? que se confiar em mim e nas coisas como devem ser tudo vai ser melhor? eu só quero melhor, sempre. só te peço isso... "
Nada foi mais lúgubre do que ter de ler isto. Era a verdade. Incontestável como nunca fora. Coesa. Correta. Absoluta. E quisá desmantelada.
Muito entre este espaço de tempo que seguiu-se aconteceu.
A desilusão foi forte pra ele. O sentido não foi perdido, mas por um lado, deixou de ter a coerência de antes. Quando a sentia, ela estava ao seu lado, trocando olhares de beijos. Carícias e abraços.
Ela seguiu seu rumo. Encenando a vida dela em cada passo. Em cada olhar e palavra expressada. Em cada sorriso e abraço proferido. Uma atriz da vida.
Isso ela sempre foi, e continuou sendo. Uma das melhores pra ele. Na interpretação da vida. Na atuação da realidade.
Ela não mente, engana. De dissimulada, nada tem. Só quando o personagem exige isso dela.
Sempre boas com as palavras, cada sentença que dizia a ele era uma flecha fincada na tábua do alvo em seu coração. Algumas boas, outras nem tanto, mas na média geral, destacava-se por conquistá-lo sempre. Todos os dias. O tempo inteiro. Mesmo nesse hiato relacional. Em que cada um prosseguiu em caminho oposto, mas com as estradas em paralelo.
"Os caminhos ainda vão se cruzar.", ele disse para ela uma vez. E acreditou piamente nisso. Cego, resoluto. Tranqüilo, sem pressa. Havia de chegar o dia. Nunca pensou o contrário, nem por um segundo.
O encanto foi imediato. A empatia que o acometeu ao olhar para ela foi absolutamente fora de série. E tudo o que sentia antes, só veio a crescer e tornar-se o que é hoje, um sentimento de paixão, de carinho, ternura, companheirismo.
As estradas um dia opostas, bifurcaram-se como que por um acaso, simplesmente pelo fato de um convite para uma festa ter sido aceito.
Mal sabiam que dali, sairia um grande conforto para os dois. Dali, floresceria uma relação que seria perfeita, em todos os sentidos da palavra. Teria compreensão de ambos, o carinho, a atenção, os sentimentos relacionados e interligados, a sintonia no pensar, no agir, no falar. No tocar. O encaixe dos beijos e dos abraços. No dar as mãos, via-se claramente a conexão entre os dois.
Mesmo o convite tendo sido aceito, algumas outras barreiras precisaram ser transpostas, quebradas. Alguns relacionamentos por parte de cada um precisavam ser vivenciados para que pudessem começar o deles.
Ela, ávida em suas decisões, flertou com o que seria um namoro. Mas durou pouco tempo. O suficiente para ser lembrado para sempre, mas pouco para ter significado alguma coisa. Uma lição desse relacionamento velocista foi tirada, e ela a carrega consigo até hoje. Muitas vezes, a impetuosidade do impulso traz resultados estranhos. Foi o que ela aprendeu.
Por outro lado, ele não flertou com relações sérias, continuo vivendo despreocupado, sem prende-ser sentimentalmente a ninguém. Seu coração estava reservado a tempos. Apenas esperando o destino encontrar a hora exata para acontecer.
E em mais uma festa, esse momento aconteceu. Uma conversa de uma hora definiu o que seria a relação deles, e do auge de sua insanidade mental, ele disse às palavras que definiriam e marcariam a vida deles: "Do caralho".
Nada expressa uma situação melhor que um palavreado. Ainda mais quando a situação envolvia os dois. E o começo da vida a dois para eles.
A palavra exclusividade ganhou outro sentido. Outra denotação. Tudo passou a significar algo para eles, e todo o resto não importava. Criaram um mundo próprio. Não de fantasia. Isso não era a intenção deles. Viveriam embasados na realidade, nos sentimentos, na verdade, nas ações e nos gestos sinceros.
'A sinceridade acima de tudo', seria o lema de ambos. E eles dizem que tem dado certo.
Cada dia que passa, quebram mais paradigmas. Não são todos que conseguem seguir essa máxima pessoal, ser sincero independente da situação. Mas eles são assim. Indecifráveis para o mundo e totalmente abertos, um para o outro.
Os dias foram passando, as visitas aumentando, junto aos sentimentos e saudades dos momentos em que não estavam juntos.
Até que em um fatídico dia, ela o pediu em namoro. Em meio a uma troca de beijos e abraços fervorosos. Não tiveram meias palavras, meios termos, meio-nada. Foi direto. Reto. Inesperado e maravilhoso.
E uma quebra de paradigma foi feita. Ela foi quem o pediu em namoro, e ele, sem ao menos pensar, refletir o que tinha acontecido, aceitou no ápice do momento.
Sem medo. Dúvidas. Sem querer explicações. Ele queria isso. Tinha pensado nisso. Mas não sabia o que ela pensava. O que queria. Se estava em sintonia.
Foi a melhor surpresa que ele poderia ter ganhado. O início de um namoro com a menina que não saía de sua cabeça há tempos. Há meses, rondava seus pensamentos e memórias. Seus sonhos e seus olhares corridos pelas palavras nos e-mails, no blog.
Agora, o que o tempo reserva para eles, aos poucos vão descobrindo juntos, de braços dados e mãos abertas.
Aventurando-se em algo novo para ambos.
Assustador? Não.
Nada os assusta quanto ao que sentem e pensam.
Cada dia mais se adoram, e cada dia distante um do outro pensam nos momentos em que estavam juntos e sabem, que em breve, estarão juntos mais uma vez. Como se fosse a primeira vez. Todas às vezes. Sempre em vezes.

O futuro é o que eles têm, e o presente, é o melhor que eles jamais poderiam imaginar.