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segunda-feira, 6 de maio de 2013

dos gestos

As palavras já tomam formas diferentes em nossas conversas. E tomam formas mais diferentes ainda quando não se dá pra dizer perfeitamente o que se tem do lado de dentro. E dentro de mim, as coisas se atropelam e nada para pra ser dito. Entende? Enquanto eu o observo cresce um amontoado abstrato de sensações. E eu poderia só olhar: a linha dos seus olhos, o contorno da sua boca, a textura da pele nos seus ombros e pescoço, a luz brincando com os cabelos; passam lentamente pela minha retina distraída nos detalhes. Das vezes que o som da minha voz volta forte, a velocidade segue seu curso normal em volta, e como num tropeço eu só lhe falo, repito... as mesmas palavras. É tudo que eu consigo pensar nos intervalos de distração por admiração. E cada toque dele, olhar e palavra, tem ênfase. O que ele faz com naturalidade chega feito um exagero aos meus sentidos, todos rendidos.

terça-feira, 2 de abril de 2013

uma pausa

Já fui e já quis ser tanta coisa, que não sei dizer quem sou. Quando penso em mim, e tento me descrever diante desse papel em branco... só consigo sentir identificação. Identificação, é a palavra que me vem. Soa estranho dizer isso, mas me identifico com quem sou hoje. Na verdade, nem deveria ser tão estranho assim, porque há quem não se identifique consigo mesmo. E olha, posso dizer, é um sentimento incrível. Eu já me odiei muitas vezes, já quis fugir de mim, abandonar meu corpo. Mas acabou, mudei, sei lá. E hoje, eu sou eu.
Dá pra entender? Sou como esse papel em branco. Não vazio. Mas sim apto a uma nova história. Aberto ao mundo. E dessa vez, sinto que a caneta esta em minhas mãos. Tô vivendo uma vida que me faz feliz, tô buscando meus objetivos e acreditando que realizarei meus sonhos. Não esta tudo perfeito, e nunca estará. Pois é. Mas o que tenho basta, sabe? E se bastar é incrível.
Sim, eu quero mais. É claro que eu quero mais. A gente sempre quer mais! Mas hoje eu parei pra escrever apenas que eu estou feliz. Eu estou serena. Eu estou eu. E eu gosto de mim como sou hoje. Estou dando nota disso, pra me lembrar de parar outras vezes pra pensar nisso. É bom se admirar de vez em quando, e deixar um pouco toda ganancia e ambição de lado. Esquecer um pouco que você ainda não é o que quer ser, não tem tudo que precisa. Isso é exaustivo demais. É bom, as vezes, se sentir completo só de ser você.

sábado, 30 de março de 2013

sobre os dias desassossegados

Tiveram dias em que eu dormia e acordava entre passos falsos.
Nesses dias pisava com segurança, dona do mundo e controladora dos que tivessem ao alcance dos meus olhos ferinos e cegos. Pior do que cega, estava míope e daltônica. Deixei de enxergar as cores e de olhar pra longe. Precisei colocar um limite na minha moral, e quando me limitei moralmente deixei de viver.
A vida, nesses dias, virou um abuso.
Com as minhas próprias mãos, por tantas vezes, estapeei o meu rosto. Eu tinha o prazer da ofensa, do sangue fervendo e da plena razão no que fazia. Ao mesmo tempo em que me feria com as minhas escolhas, e me destruía, porque ninguém fazia isso por mim.
Cultuei o humano, montado, maquiado, delineado e que de tão perfeito nem parecia real. Nos dias em que percebi que gostava mais do fantasioso do que do real, decidi me aventurar em qualquer coisa que me desse nojo mais na frente. Pois bem, fiz-me um nojo. Criei apreço em abusar de intenções egoístas, de mentiras caras-de-pau, de repetir á todo o mesmo sentimento e de me agredir, principalmente, cada dia mais. Fiz-me do nojo, virei o que preguei.

E houve dias em que os dias passaram.

Os passos de segurança viraram tropeços, os olhos ferinos começaram a se abrir e a vislumbrar de novos dias. Os novos dias vieram, o calendário não para de virar, página após página. Declarei os erros, cometi outros, sempre será assim. Mas hoje não vou me enganar. Nem a falsa felicidade é melhor do que uma dor verdadeira. Hoje prefiro arriscar de verdade, uma vida de verdade, prefiro sofrer uma verdade a cultuar uma mentira

quinta-feira, 7 de março de 2013

segredos

Segredos são desvendados quase em silêncio. Na pele que encosta e dá sinal de que gosta. No olho que fecha, na boca que escancara, no ar que circula entre o lado de dentro e o lado de fora. Segredos são sinfonias íntimas, sem letra, sem canto, sem dicas. Segredos são mudos, discretos e indiscretos. Segredos são quentes. Não se diz como é. Descobre-se. Tenta-se e ele se revela por si só. O corpo denuncia que arde, denuncia que vibra, que morde. O segredo escapa. As mãos procuram, vasculham. E as mãos não vêem. Elas traduzem. O braile dos poros, dos pêlos, dos pares. O segredo dispara, confunde-se entre o talvez eu morra e talvez eu nasça. O que acontece com o segredo quando o segredo acontece? Em quanto tempo se aquieta a alma dentro de um corpo que goza? O quanto se dilata sua pupila, seu pulmão, sua mente? Sem entorpecentes, sem álcool, sem anestesia. O quanto você suporta de caos para que então venha a ordem?

domingo, 3 de fevereiro de 2013

sobre o desejo da meia noite

Será que é mesmo tanta ingenuidade minha de querer você assim, desse jeito? É que eu já imaginei como tudo poderia ser lá na frente, e escrevi em algumas folhas de caderno o rascunho do nosso futuro. Você seria tudo o que eu mais poderia querer, e eu te acompanharia pelas nuvens dos seus sonhos. O teto do seu quarto seria o nosso céu favorito, e o cheiro do seu travesseiro ficaria preso na minha roupa. A varanda descansaria a maioria das nossas conversas, e eu seria íntima de todos os seus pijamas. E eu sei, sei que ficaria sempre bem se todos os nossos beijos terminassem em sorrisos.

10/2012

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

de cócegas, sorrisos largos e amor.

Minha auto-destruição, meus cadeados, meu pé atras, minhas vozes inquietas e internas me pediram imploraram que eu devia ter te matado. E eu devia ter te matado. Devia ter te matado antes de olhar tão tão fundo e ver seu olho-cor-de-tudo e entender que são essas as cores que me prendem. Mas eu não te matei, e agora você que me mata

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

tudo novo

Sei que uso as mesmas palavras, sei que insisto em vaguear sobre historias um tanto dramáticas ou muito românticas, ou as duas coisas juntas - não sei escrever sobre o que acontece fora de mim. Mas garanto que é direcionado a novos rostos.
 Aqui escrevo de dois mil e treze, de um número impar, mas que vira par, correndo pra não estar sozinho. E quando par é dois, quando par somos eu e você, as manhãs, as tardes e as noites não são tão longas quanto as madrugadas que fogem tanto de mim e do meu controle do tempo. Posso, talvez, nem te amar pra sempre e te querer eternamente e essas coisas todas que as pessoas dizem sem poder garantir, mas esse tipo de declarações, pra mim, já não são a motivação de tudo...
O ar que eu respiro pode me acordar e o som da chuva me dormir como criança. E eu posso sorrir com qualquer palavra sua ou simplesmente bocejar bem grande, nem dependeria de você. Eu falo de bom humor, de ter a sorte de acordar bem. Da sorte que é acordar do seu lado.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

maybe I'm amazed

Tem essas músicas que falam comigo, e é tudo. Da melodia até a letra, das sensações até as lembranças que trazem e as situações que criam na minha cabeça. Feito um abraço seu que não carrega apenas os seus braços, mas também seu cheiro, seu peso, e os nossos sentimentos, envolvidos junto com os meus, tudo junto. E é tudo.

o capítulo novo

E desde que você chegou, as páginas passadas tantas e tantas vezes re-lidas, amarelaram. Eu já não pude mais olhar para trás.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

over-thinking

Primeiro acho que foi o medo. Medo de mudar de idéia, de que linhas se cruzassem por outros sentidos. Parágrafos se confrontando... eu odiava a minha confusão, eu odiava. Depois era a falta de tato com as coisas que eu sentia, e o medo delas se tornarem reais. Se eu fosse listar meus medos... eu sou um saco deles. Um saco de medos. E o silêncio, teclas sem movimentos, um teclado dormindo. É como um pesadelo de infância que sempre se repete: os pés grudam no chão, o monstro está chegando, e você não consegue se mexer. Acorda.
Quem vai desgrudar os meus pés? Pessoas. Eu sempre quero pessoas, e elas são cheias de... pessoas. Uma pessoa nunca vem sozinha. Eu queria ter matado o silêncio antes do antes, o meu e o seu. Deveria ter furado aquela parede que ele levantou. O desperdício nunca vai sair da minha mente, e eu contaria azulejos de madrugada, eu devoraria livros, montaria casas e casas de papel, se eu pudesse simplesmente parar de pensar no desperdício.

abril/2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

panorama

Quando olho dentro de mim, e mastigo tudo o que sobrou, entendo dessa sobra algo muito maior. E as mudanças não são mais sinônimo de qualquer coisa ruim - como a impressão que sempre carreguei comigo. Apenas alcanço mais longe com os olhos agora, como algo que se assemelhe a um grande caminho visto por cima. Dentro do meu panorama de vontades e sentimentos, eu sei muito bem onde posso, e onde quero chegar.
Vivemos morrendo por aí.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

reflexos

Eu tenho um pouco de medo das palavras. Eu tenho medo da interpretação dos outros, da pretensão. Tenho medo das ilusões, medo de tudo o que é, mesmo que pouco, distante, de tudo o que se afasta, e tenho mais medo ainda das coisas que eu não sei. E sabe, gosto de tornar tudo belo. Sou mesmo de colorir as lembranças, e enfeitar as conversas, sou de ensaiar momentos que seriam lindos mesmo sem meus ensaios... só que é disso que eu gosto. Mas eu já disse que tenho um pouco de medo das palavras? Eu tenho medo da interpretação dos outros, da pretensão. Tenho medo das ilusões, e tenho mais medo ainda das coisas que eu não sei.

sábado, 10 de novembro de 2012

sobre enxergar

Ele nunca a olhou de verdade, nunca passou os dedos sobre as pintinhas do pescoço dela, contando pra saber quantas eram. Não reparou em como ela muda o cabelo pra tentar saber como ele prefere. Não entendeu que o tamanho do sorrir dela é igual ao quase-desespero que ela esconde por gostar tanto dele. Ele nunca a enxergou. Não reparou que ela ta sempre lá, pra segurar a mão dele, apoiar sua cabeça, fazer massagem nos pés exaustos. Não viu ela caminhando com todo cuidado pra não pisar em nenhuma ferida que ele tenha do passado. Não percebeu que o olhar dela pede muito, mas muito mais... e que ela não consegue mais segurar seus próprios desejos, que não são ambiciosos, nem exagerados. Sempre houve a tendência não aceita por nenhum dos dois, mas inevitável. Ela, que quer, também cansa. Querer sozinho cansa, já haviam lhe avisado. E mesmo assim ela se aventurou, deu cara a tapa, sorriu pra sorte... Mas nem a sorte e nem ele viram esse sorriso. E ninguém aguenta viver acompanhada por sua própria invisibilidade.