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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

27 milésimos de segundo

Durou apenas o tempo de um piscar de olhos. Mas pareceu que durou mais do que aqueles últimos 27 dias. Ele foi embora. E ela sentiu cada passo que os distanciavam enquanto os ladrilhos sob os pés dela se desmanchavam. Olhando pra todo esse abismo que surgia logo abaixo dela, ela ficou ali, parada, paralisada. Seus olhos se fecharam, seus pulmões não seguravam o ar, e seus pés não obedeciam. Não entendia, 27 minutos atrás estava tudo bem. Não entendia. Tanto plano, tanto sonho, tanto sorriso. Não entendia. Tanta intensidade, tanta velocidade, tanta... impulsividade. Ele foi embora. E ela ficou ali, sem saber pra onde ir. O que restou dela, ficou ali.

sábado, 30 de julho de 2016

Você é aquela mancha de café no meu vestido branco de domingo.
Um lembrete constante de quanto doce e amarga a vida pode ser.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

sobre o peso das coisas

Navego sem saber se o que me embrulha o estômago é o curso do barco ou as sílabas que se agitam furiosamente querendo criar falas para sentimentos mal-entendidos. Brotam na garganta com uma voz estranhamente conhecida, mas saem do corpo como que em outro idioma - eu não entendo o que quero dizer a maior parte das vezes.

terça-feira, 5 de abril de 2016

dos dias bonitos

Esse céu me inspira. Aquele Sol radiante seguido de uma tempestade, que então volta a a radiar a luz do Sol por entre as nuvens, sabe? Meus olhos querem molhar toda vez que lembro dela, ou dos momentos que ela me deu de presente. Queria que ela pudesse vestir meu coração por alguns segundos, porque nem a melhor precisão conseguiria descrever a sensação que abraça todo o meu peito de dentro para fora. Não existia melhor presente do que sua companhia. Clichê, eu sei. Mas nada que ninguém faça muda isso aqui. Caminhar pra longe dela é como arrancar de mim uma parte, uma parte minha que deixo com ela.
Eu mal soube me despedir... É como se ela sempre estivesse perto de mim.

quarta-feira, 2 de março de 2016

roadtrip

"você é minha road trip favorita”. 

(pensou em usar essa frase em uma postagem de um futuro próximo).
antecipar alegrias tem sido seu passatempo favorito, 
desde que o conheceu.

aquele clichê:
moreno bonito, 
olhos verdes, 
sorriso que faz até apertar
no peito.

e tinha mais, ainda
flores, cartão, presentes
video-game, pipocas, conchinhas
madrugadas querendo, conversando, sorrindo
pinta de soldado, 
e uma cabeça no mundo da lua.

eita. 

houve um momento em que ela não acreditou.
“será que eu posso ter sorte assim?”

assim.

ela olha pra ele no carro,
ao lado dela
musicas escolhidas a dedo,
tocando alto

e o sol batendo por trás da silhueta dele.
“fica bem ai que essa luz tá tão bonita”

clic.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

perguntas

Será que ter certeza de que um sentimento vai acontecer na gente, significa que ele já está acontecendo?

Afinal, como podemos saber qual o momento exato em que um sentimento nasce?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

meteorologias

Fomos como o dia que nos conhecemos - um dia que tinha tudo pra ser bonito, mas nublou.
O sol estava lá, aquecendo e intensificando todas as cores ao nosso redor, mas a neblina se manteve pra umedecer nossos olhos. Os pássaros estavam lá, nos cantando melodias e chamando por amor, mas a neblina não permitiu que esse amor nos encontrasse.
Fomos como o dia que nos conhecemos - um dia que tinha tudo pra ser bonito, mas acabou.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

sobre um romance que não existiu

Ela recebeu o sinal: estava nublado naquele domingo.

Mas algo nela achou que isso poderia ser bonito. Que poderia ser o dia 1 de uma longa história, mesmo que estivesse chegando no meio de outra. Ela foi lá, pegou seu melhor olhar, abriu seu peito, e jogou seu próprio Sol naquele domingo nublado. Ela se jogou.

Numa sacola, levou com ela suas melhores intenções, mesmo que escritas em linhas tortas. Levou também seu coração que, mesmo já meio ocupado, ainda tinha espaço. E com ele, ela o acolheu. Dividiu o peso que carregava o outro personagem dessa história (que eu já não me lembro o nome). Havia muito futuro nele. Um futuro que pesava toneladas. Pesava milhões. Pesava a liberdade dela.

As primeiras linhas dessa história já lhe contavam quase tudo que estava por vir. E era tudo nublado. Tão nublado… Que o que ela pensou ser uma longa história, na verdade teria um fim breve, e agressivo. Tanta neblina que teve, que ficou tudo branco na memória.

Teve o fim, e a partir desse fim, nada ficou. Teve o fim. E dessa história, ela nada levou.
Sorriu no seu novo dia 1, deu seu primeiro passo e caminhou.
Leve, livre, nova.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

enfim

Quem dera não mais me importasse.
Depois de tanto tempo e tantos muros, a lua se escondeu atrás de um breu desconhecido. O livro não conta mais história de amor e leitura sociológica define o que sentimos.
E como o vento, passa.
Passa tão dolorido e enfim imperceptível que quando me dei conta deixei os pássaros voarem.

Fiquei de mãos vazias.
E é por esse vazio que eu tenho vivido.
E desse viver vazio que me dei conta que não me importo mais.

Só.
Vazio.
Assim.
Enfim.

Eu venho me sentindo ótima.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

impermanência

Que faz meu nome fora da tua boca?
Quisera eu enxergar o que observava teu olhar cansado, que não meu peito descompassado e meu colo ansioso. O que te prende em devaneios, e me embaça frente teus olhos? O que há detrás de minha nuca?

- minha voz soou como um eco: percebo o esforço em voltar e a tentativa de entender as palavras que estouram como um soluço agoniado - 

Desconexos. Bastou alguns segundos para que o silêncio se instaurasse entre nós, criando um vão que engolia as frases não ditas. Nos reconhecemos como dois desconhecidos. Perdidos um do outro e daquilo tudo que podíamos ser e não fomos. 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

negar a si mesmo

esse doce que precisa de água
essa guitarra que precisa de silêncio
esse coração que precisa de tempo
essa guerra que precisa de flores
esse quadro que precisa de sentido
essa vida que precisa de destino
esse ponto que precisa de imensidão
essa minha terrível contradição.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

de porta aberta

Vou deixar você entrar. Só tome cuidado para não se perder, são infinitos os caminhos, e na sua maioria são escuros. Mas você pode pisar sem medo. Tem lá uma infinidade de coisas para que teus outros sentidos sejam aguçados. Entre, devagarinho, e te garanto que haverá um lugar para seu aconchego, onde descansarás numa tranqüilidade infinita - é o pequeno espaço que ainda não é escuro - e lá estando, sei que serei tomada por um calor absurdo, que vai pulsar o sangue por todo meu corpo, e com um sorriso ligeiro vai me passar pela cabeça que ainda há vida, e que no exato momento que você decidiu entrar, ela se fez mais presente do que nunca. E esse pequeno espaço de luz, invadido por sua luz, tomará outros e outros caminhos dentro de mim, clareando tudo.
Estou, neste exato momento, rompendo o meu constante estado de tédio.
Vem.

domingo, 4 de outubro de 2015

poesia arranhada

Nem se eu houvesse escrito
todas as histórias que já recitei ao banho.
dos romances mais bonitos
e das aventuras que a vida me traria.

Nem se eu houvesse composto
todas as musicas que já ouvi ao sonho,
das melodias mais lindas
e das letras que meu coração dançaria.

Nem se eu houvesse pintado
todos os quadros que já mergulhei às cores,
das tonalidades mais quentes
e das pinceladas que minha boca sorria.

Nada superaria
a emoção que é
você.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

como um gato

tem noite que fico como um gato, 
deitada na janela,
observando as luzes da cidade,
as estrelas no céu,
pensando sobre cada ponto,
cada virgula, 
cada letra,
cada palavra,
que toda aquela vida ali logo abaixo e acima de mim, 
me dava pra pensar na minha,

nessa minha vida de gato.