"Amor implica depender, estar na mão da outra pessoa. Por isso, amar alguém que não nos transmite confiança é ser irresponsável para consigo mesmo.
Poucos são os casais que vivem em concórdia, num relacionamento que crie condições para que ambos cresçam emocional e intelectualmente. Mas, por existir alguns casais que vivem em harmonia, devemos nos empenhar para também fazermos parte dessa minoria privilegiada..."
[créditos à Karina Maldonado]
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
pergunta
- Se pudesse ter alguma coisa no mundo, qualquer coisa, o que seria?
- Você.
Sacudi a cabeça com impaciência.
- Algo que você não tenha.
- Você.
Sacudi a cabeça com impaciência.
- Algo que você não tenha.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
sobre-vida
Mesmo que ela precise inventar, bem lá dentro tem um escândalo a lhe empurrar, lhe obrigar a continuar. Os dias leves não lhe convencem, ela procura no drama os calores que quer encontrar. Mistura os sabores, confunde os dias que passam e sobe bem alto para depois se arrepender e doer e fazer tudo de novo e viver pedindo desculpas. Pode insinuar ternura e amor, mas não o faria sem perigo ou tragédia, sem a possibilidade vital de tremer, passional, sobre a finura em que se equilibra sem pender exatamente para lado nenhum.
Não pode ser pouco, não deve bastar.
Quer sobrar no excesso, nadar no que irá ser varrido depois.
Acumular.
Quem lhe socorre é ela mesma. Não faz apelos. Apenas grita em público. Mas o que soa alto nada quer pedir, só desejar, como forma de vida que não sufoque e não faça desistir. Na alegria impera também a exaustão, um disparate de dor às avessas.
Não pode ser menos, não deve faltar.
Ela quer empurrar o seu corpo e usar o que lhe veio a mais em seu próprio existir. Por vezes benéfico, por vezes estúpido.
Ela exagera, e sabe. Mas nunca se deu a menos.
A culpa faz parte disso, mas suporta, porque foi ela quem a inventou, e dá um jeito de fazer os dias correrem afastando isso do que há de vir. No escuro ela pendura seu casaco, sua máscara. Remói valores que não entende mas que lhe cobram porque lhe foram passados, depois toma um veneno para afastar da memória o que devem dizer por aí. Não se importa.
Só não pode mais estar no meio do caminho.
A medida é alta, só pode se mover se for até o fim, até onde pode caber e descansar na paz intranquila de quem nunca vai ter sossego. Isso não lhe foi prometido e ela também nunca pediu leveza alguma, pois serenidade nenhuma nunca lhe alcançaria. São apenas vultos os dias que se acolhem sem ardor. Não os considera. É preciso pesar, inchar, se não se dispersará de sí e quererá voltar e não ser. O que está resolvido é o que não se resolve, o que não vai encontrar e não sei.
Não pode ser pouco, não deve bastar.
Quer sobrar no excesso, nadar no que irá ser varrido depois.
Acumular.
Quem lhe socorre é ela mesma. Não faz apelos. Apenas grita em público. Mas o que soa alto nada quer pedir, só desejar, como forma de vida que não sufoque e não faça desistir. Na alegria impera também a exaustão, um disparate de dor às avessas.
Não pode ser menos, não deve faltar.
Ela quer empurrar o seu corpo e usar o que lhe veio a mais em seu próprio existir. Por vezes benéfico, por vezes estúpido.
Ela exagera, e sabe. Mas nunca se deu a menos.
A culpa faz parte disso, mas suporta, porque foi ela quem a inventou, e dá um jeito de fazer os dias correrem afastando isso do que há de vir. No escuro ela pendura seu casaco, sua máscara. Remói valores que não entende mas que lhe cobram porque lhe foram passados, depois toma um veneno para afastar da memória o que devem dizer por aí. Não se importa.
Só não pode mais estar no meio do caminho.
A medida é alta, só pode se mover se for até o fim, até onde pode caber e descansar na paz intranquila de quem nunca vai ter sossego. Isso não lhe foi prometido e ela também nunca pediu leveza alguma, pois serenidade nenhuma nunca lhe alcançaria. São apenas vultos os dias que se acolhem sem ardor. Não os considera. É preciso pesar, inchar, se não se dispersará de sí e quererá voltar e não ser. O que está resolvido é o que não se resolve, o que não vai encontrar e não sei.
domingo, 23 de agosto de 2009
sobre pensar
Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, que cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Até pensar no que está sendo, ou o que antes era, também não. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não se assustar. Entrar nela significa viver.
domingo, 16 de agosto de 2009
clareia
"Me explica, que às vezes tenho medo. Deixo de ter, como agora, quando o vento cessa e o sol volta a bater nos verdes. Mesmo sem compreender, quero continuar aqui onde está constantemente amanhecendo."
[créditos à Caio F.]
[créditos à Caio F.]
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
corte em carne viva
Portas de casco podre, que falam no oco, que desafiam com a pedra na mão a janela de vidro, intacta. Em fundo de quintal um jardim de espinhos coloridos, de se colher e entregar como presente romântico.
Chove, transborda e escorre casa a fora, rente ao asfalto quente, das chuvas de verão, das nuvens de passeio, pés de aquaplanagem e nós em contra mão. Granito em baixo de vaso de vidro, um gole de água, a cortina de renda toca de leve a menina que triste chora na casa vazia.
Chove, transborda e escorre casa a fora, rente ao asfalto quente, das chuvas de verão, das nuvens de passeio, pés de aquaplanagem e nós em contra mão. Granito em baixo de vaso de vidro, um gole de água, a cortina de renda toca de leve a menina que triste chora na casa vazia.
domingo, 9 de agosto de 2009
verdade de mentira
Parece muito como quando chove, porque é bem assim que ela chega: de surpresa. E justamente quando não espero... ai, esse é o jeito que dói mais!
domingo, 2 de agosto de 2009
good morning
E eu estava sem coragem de levantar da cama, com um medo terrível do que sentiria ao abrir meus olhos e não ver os seus cabelos esparramados pelo travesseiro. A vontade era de continuar deitada com o cheiro que eu sinto sempre que te alcanço um beijo. Queria dormir, e só dormir para acordar com você.
terça-feira, 28 de julho de 2009
o movimento do vento
A vista do último andar sempre me deu vertigem e deslumbramento. Pensar em quantos crânios você está esmagando naquele momento pela a diferença de alguns blocos de tijolo e cimento é excitante. Mas o abandono é continuo, espreme o coração e estoura fogos de artifício para o lado dentro. E do lado de dentro o colorido não toma o céu, não conhece o topo e não voa. Não ilude, não encanta e não toma a retina dos olhos que marejados suportam as lágrimas que insistem em descer.
As cortinas dos hotéis sempre foram douradas, sedosas e perfeitamente alinhadas. Mas não dançavam. Não se permitiam deixar que o vento entrasse, batesse e tirasse tudo fora de ordem. Triste as cortinas paradas e sedentas. Sozinhas, sem o próprio ar em movimento. E mesmo no último andar, aonde o vento deveria correr mais forte e mais denso eu não podia nem parar de respirar um pouco. Sempre fora uma vida perfeita como as das cortinas. Porém, nesse lugar aqui eles deixam o sol entrar. São cortinas de algodão, mal costuradas, mas felizes. Dançam para lá e cá, o dia todo, parecem tão leves e felizes.
Existe dentro desse quarto um contraste entre eu e as cortinas.
Até aqui minha vida foi feita de mãos. De tantos os tipos e todas sem um nome. Uma mão é uma mão, ainda mais quando você tem várias á disposição. Eu sempre tive medo de rostos, expressões, olhos. De mãos não! Sempre gostei, ainda mais quando me estendiam dinheiro, facilidades, presentes, revistas, contratos. Fiz das calçadas uma passarela, me descobriram com pé no chinelo, corpo em blusa rasgada e rosto sem maquiagem. Descobriram, e ao mesmo tempo jogaram em cima de mim um pano preto. E me cobriram. A partir de então foi um festival de mãos. Mão que entregou um cartão, mão que me ajeitou o cabelo, mão que me fez maquiagem, mão que passou na bunda, mão que me deu prêmio, mão que me ligou e pediu pelo amor de Deus uma entrevista, mão que deslizou o corpo, mão que me aplaudiu, mão que tirou foto, mão que me deu tapa na cara. Mão que me ofereceu. Mas só ofereceu, não jogou em cima de mim.
Existe nesse mundo de mãos uma semelhança gritante entre a mão que me cobriu com o pano preto e com a que me ofereceu cocaína. E suas diferenças.
A partir daí eu achei que a minha vida era boa demais. Dinheiro farto, homens lindos, festas regadas a bom estilo e bom gosto, amigos, amigos, amigos. Fama! A fama é como olhar pela a janela do último andar. Mas aí trancam a porta e te dão duas escolhas. Ou você se joga e tenta sair do prédio ou fica sempre dentro dele. A minha escolha ficou no meio termo. Fiquei pendurada, nem lá e nem cá. As coisas tomaram um rumo tão grande que eu nem lembrava meu próprio nome. Aliás, todos os dias eu penso se quando eu morrer quem vai ser enterrada. Ela ou eu?
Existe entre eu e ela um mesmo corpo destrinchado em duas essências opostas que insistem em se misturar na minha cabeça. Ela me assassina e eu me jogo do alto do último andar.
Eu tinha falta de gente. Pouca gente. Pra falar a verdade, eu tinha falta de gente nenhuma.
Sempre existiu fora de mim um nome. Um álbum com pedaços de papeis cheios de vidas momentâneas, registradas e congeladas. O problema é esse. A minha culpa é fazer com que esses momentos únicos permaneçam como unidade, e se dissolvam através do tempo até o dia que simplesmente não existam mais. Me chamam de ousada, dissimulada, promiscua, farsante. O meu coração me pede para ir, eu vou. Simples assim. Percebem o erro? Esse mundaréu de adjetivos pertence ao meu coração, e não á mim.
Existe entre a droga e as palavras o mesmo perigo. Podemos usar de ambas de forma errada. Nelas, ainda, em comum a mesma questão: existe forma certa?
Hoje meus pés não sustentam o peso de ser quem sou. Mesmo que pouco, ainda sou.
Me colocaram no último andar não por ser o lugar mais privilegiado, mas por ser longe da base, do chão, do real. As cortinas dançam por mim. Um tubo come por mim. Uma mão toma banho por mim. Engraçado, mas algemas às vezes nos libertam. Disseram baixinho que o meu caso é livrar da dependência longe da própria independência.
Existe em toda história a boa moral ou a forma mais realista de ver a vida.
E o que me salva nesse quarto de hospital é a minha capacidade de sempre enxergar o lado bom e ruim das coisas.
Pelo menos, aqui, eles deixam o ar entrar.
Eles me permitem, simplesmente, sentir calor e frio.
Sem ar condicionado.
As cortinas dos hotéis sempre foram douradas, sedosas e perfeitamente alinhadas. Mas não dançavam. Não se permitiam deixar que o vento entrasse, batesse e tirasse tudo fora de ordem. Triste as cortinas paradas e sedentas. Sozinhas, sem o próprio ar em movimento. E mesmo no último andar, aonde o vento deveria correr mais forte e mais denso eu não podia nem parar de respirar um pouco. Sempre fora uma vida perfeita como as das cortinas. Porém, nesse lugar aqui eles deixam o sol entrar. São cortinas de algodão, mal costuradas, mas felizes. Dançam para lá e cá, o dia todo, parecem tão leves e felizes.
Existe dentro desse quarto um contraste entre eu e as cortinas.
Até aqui minha vida foi feita de mãos. De tantos os tipos e todas sem um nome. Uma mão é uma mão, ainda mais quando você tem várias á disposição. Eu sempre tive medo de rostos, expressões, olhos. De mãos não! Sempre gostei, ainda mais quando me estendiam dinheiro, facilidades, presentes, revistas, contratos. Fiz das calçadas uma passarela, me descobriram com pé no chinelo, corpo em blusa rasgada e rosto sem maquiagem. Descobriram, e ao mesmo tempo jogaram em cima de mim um pano preto. E me cobriram. A partir de então foi um festival de mãos. Mão que entregou um cartão, mão que me ajeitou o cabelo, mão que me fez maquiagem, mão que passou na bunda, mão que me deu prêmio, mão que me ligou e pediu pelo amor de Deus uma entrevista, mão que deslizou o corpo, mão que me aplaudiu, mão que tirou foto, mão que me deu tapa na cara. Mão que me ofereceu. Mas só ofereceu, não jogou em cima de mim.
Existe nesse mundo de mãos uma semelhança gritante entre a mão que me cobriu com o pano preto e com a que me ofereceu cocaína. E suas diferenças.
A partir daí eu achei que a minha vida era boa demais. Dinheiro farto, homens lindos, festas regadas a bom estilo e bom gosto, amigos, amigos, amigos. Fama! A fama é como olhar pela a janela do último andar. Mas aí trancam a porta e te dão duas escolhas. Ou você se joga e tenta sair do prédio ou fica sempre dentro dele. A minha escolha ficou no meio termo. Fiquei pendurada, nem lá e nem cá. As coisas tomaram um rumo tão grande que eu nem lembrava meu próprio nome. Aliás, todos os dias eu penso se quando eu morrer quem vai ser enterrada. Ela ou eu?
Existe entre eu e ela um mesmo corpo destrinchado em duas essências opostas que insistem em se misturar na minha cabeça. Ela me assassina e eu me jogo do alto do último andar.
Eu tinha falta de gente. Pouca gente. Pra falar a verdade, eu tinha falta de gente nenhuma.
Sempre existiu fora de mim um nome. Um álbum com pedaços de papeis cheios de vidas momentâneas, registradas e congeladas. O problema é esse. A minha culpa é fazer com que esses momentos únicos permaneçam como unidade, e se dissolvam através do tempo até o dia que simplesmente não existam mais. Me chamam de ousada, dissimulada, promiscua, farsante. O meu coração me pede para ir, eu vou. Simples assim. Percebem o erro? Esse mundaréu de adjetivos pertence ao meu coração, e não á mim.
Existe entre a droga e as palavras o mesmo perigo. Podemos usar de ambas de forma errada. Nelas, ainda, em comum a mesma questão: existe forma certa?
Hoje meus pés não sustentam o peso de ser quem sou. Mesmo que pouco, ainda sou.
Me colocaram no último andar não por ser o lugar mais privilegiado, mas por ser longe da base, do chão, do real. As cortinas dançam por mim. Um tubo come por mim. Uma mão toma banho por mim. Engraçado, mas algemas às vezes nos libertam. Disseram baixinho que o meu caso é livrar da dependência longe da própria independência.
Existe em toda história a boa moral ou a forma mais realista de ver a vida.
E o que me salva nesse quarto de hospital é a minha capacidade de sempre enxergar o lado bom e ruim das coisas.
Pelo menos, aqui, eles deixam o ar entrar.
Eles me permitem, simplesmente, sentir calor e frio.
Sem ar condicionado.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
garoa
Entrou rápido no táxi porque quase chovia. No banco de trás, procurava o que olhar através do vidro, através das gotas que enfeitavam o vidro. Desistiu do vidro, levantou o fone até os ouvidos e aumentou o volume. Aquela música entristecia, e parecia que não vinha do fone, nem do aparelho de som. Estava mais para um som ambiente que casava muito bem com aquele momento esquisito. Recostou a cabeça, e ficou olhando o teto do carro que chacoalhava. Sentiu a lombada, sentiu a curva, e reconheceu sua rua sem ao menos olhar em volta, apenar sentiu que chegava.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
assim
Mal parecia. Nem de longe como Monet e pouco de perto com olhares clínicos.
Haviam, afinal, marcado o mesmo encontro ou tudo não tinha passado de uma real coincidência?
Frente a frente, olhavam-se de jeito minimalista o outro. Imperceptível.
- Tudo bem?
- Sim. E você?
- Tudo e você?
- Também, e você?
- To bem, e com você, tudo bem?
- Sim. E com você, tudo bem?
- ...
Daria, então, para escrever um livro em silêncio e sobre o silêncio.
Beijaram-se, como nunca com outra pessoa ou entre eles mesmos.
Foram três horas de beijos picados na casa.
Haviam, afinal, marcado o mesmo encontro ou tudo não tinha passado de uma real coincidência?
Frente a frente, olhavam-se de jeito minimalista o outro. Imperceptível.
- Tudo bem?
- Sim. E você?
- Tudo e você?
- Também, e você?
- To bem, e com você, tudo bem?
- Sim. E com você, tudo bem?
- ...
Daria, então, para escrever um livro em silêncio e sobre o silêncio.
Beijaram-se, como nunca com outra pessoa ou entre eles mesmos.
Foram três horas de beijos picados na casa.
domingo, 19 de julho de 2009
fuck
E da mesma forma que o vento gélido lhe corta o rosto petrificado em fúria, pode também lhe congelar as lagrimas no rosto e transformar seu corpo em mil, esvaindo os pedaços como cristal quebrado em uma nevasca. E é assim. Tempo atrás, o choro da menina caiu pelos ombros do rapaz. O choro dela escorreu em angustia de duvidas, incertezas e muito, mas muito amor mesmo, no meio daquela situação tão louca e tão delicada. Ninguém tem o direito de fazer mal a ninguém, mas alguém sempre sai ferido. Se não todos, alguém vai sair completamente despedaçado dessa situação de mau gosto. O tempo não quer passar. Ela não sabe o que fazer. Ela quer correr pra longe de tudo, ela quer sumir como seu corpo no vento. Ela quer que tudo fique bem. Ela não sabe o que fazer.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
gaiola
Ar de vítima, e vítima acuada, do tipo medrosa. Achou impossível manter os pés ainda dispostos a deslizar entre o térreo e o apartamento sessenta e tres. Acendeu o cigarro como se esfaqueasse alguém. Um golpe de filtro vermelho que ao invés de sangrar fazia fumaça, não tinha ponta de corte mais se sentia tão poderosa como se portasse realmente uma faca entre as mãos. Ao sair do prédio foi golpeada de uma só vez contra os graus abaixo de qualquer coisa. O vento lhe cortou três vezes o rosto, fez do frio chagas em seus ombros, e da beleza quente um rosto gélido, petrificado em sua fúria. Como se antes de morrer cada pessoa pudesse escolher a expressão na qual seria enterrada. Naquele dia, e somente nesse, ela escolheu morrer de liberdade.
ainda restava um pouco de café na xícara
Mãos trêmulas e coração disparado
a janela balança com a velocidade do vento
gosto demais de você pra te matar
nunca vou conseguir levantar dessa cama
nunca
a janela balança com a velocidade do vento
gosto demais de você pra te matar
nunca vou conseguir levantar dessa cama
nunca
segunda-feira, 13 de julho de 2009
até então, era só o tempo
Ainda tem muito que cicatrizar. Fechar por fechar, não ta sagrando e já não dói. Mas ainda ta o livro aberto em cima do criado mudo, os beijos, abraços, carinhos, telefonemas, paradas, músicas, faróis vermelhos e tudo assim, meio que na contra mão de tudo que eu sempre esperei.
Hoje eu percebi uma carência absurda... de ficar sozinha.
Hoje eu percebi uma carência absurda... de ficar sozinha.
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