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domingo, 27 de setembro de 2009

sem planos para amanhã

Ele andava com os olhos marejados de ondas secas. Fez o molhado chover e escorrer quente pelo o seu peito confuso. Os anéis, as toucas, os casaquetos de lã estocados aos montes nas gavetas de uma casa de poucos comodos, de uma rua manjada, de uma cidade ingrata e um casamento feito como um pedaço de papelão que aos poucos se desmancha na enchente.

Buscava nos pensamentos cansados a matriz do problema, a raiz podre de uma árvore que jamais daria frutos: o ventre daquela mulher não receberia o gene daquele homem.

"Jamais colocaria alguém nesse mundo". Cruel e definitivo.



Já ter se colocado no mundo era demais.

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