quarta-feira, 25 de outubro de 2017

epifania da noite foi sobre as infelicidades que só vieram melhorar quem eu sou.


veja bem, não foi fácil chegar aqui. eu rodeei bastante lá e cá, cá e lá. perguntar “por quê?” virou tarefa diária. foi pesado, sabe. mas eu entendi, quer dizer, aprendi. e gente, vocês não sabem o quanto a gente aprende quando convive com um sociopata. não desejo pra ninguém, mas sabe, eu definitivamente fiquei mais inteligente depois disso. eles exalam destruição e tem fumaça demais. no fim, isso da pena. e vocês não sabem o quanto a gente aprende quando sente pena de um sociopata. dica: é motivo pra ser ainda mais feliz por ser quem sou. por poder ser ainda mais eu. é, ou sabem...


:)

domingo, 17 de setembro de 2017

como um gato

tem noite que fico como um gato, 
deitada na janela,
observando as luzes da cidade,
as estrelas no céu,
pensando sobre cada ponto,
cada virgula, 
cada letra,
cada palavra,
que toda aquela vida ali logo abaixo e acima de mim, 
me dava pra pensar na minha,

nessa minha vida de gato.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

e é

Se você fosse o meu bom dia, o meu final de dia, a minha última mensagem no celular, os meus poucos centavos de crédito, o meu fim de semana, a música que toca no rádio, toda a saudade que sinto, aquele nome gravado no anel, o primeiro a pensar e o último antes de adormecer... Se você fosse a minha satisfação, meu sorriso no rosto constante, minha conta pra dividir, minha mão pra segurar, o ar do mesmo lugar, o perfume pra viciar, o ciúmes pra sentir e aquele um segundo só pra odiar... Se você fosse as minhas viagens em família, em amigos, de casal, a minha foto de cabeceira, a sessão de fotos no celular, o meu abraço favorito por trás, meu coração descompassado aqui na frente e minha segurança por todos os lados. Se você ao menos fosse...



mensagem aberta à sua sociopatia

nada bom aqui é sobre você.
não há saudade, não há sentimento
amor nenhum existiu por você.

tudo nunca passou de uma grande mentira,
que você me contou dia após dia,
na sua sede por poder.

você não deixou nada aqui além de pena,
e de nojo em ter conhecido alguém
doente como você.



segunda-feira, 10 de julho de 2017

about a part of love:


I wanna cook
whatever you feel like eating.
(when you’re high).

domingo, 2 de julho de 2017

Parte II.

Roadtrips.

“você é minha road trip favorita”. 
(pensou em usar essa frase em uma postagem de um futuro próximo).
antecipar alegrias tem sido seu passatempo favorito, 
desde que o conheceu.

aquele clichê:
moreno bonito, 
olhos verdes, 
sorriso que faz até apertar
no peito.

e tinha mais, ainda
flores, cartão, presentes
video-game, pipocas, conchinhas
madrugadas querendo, conversando, sorrindo
pinta de soldado, 
e uma cabeça no mundo da lua.

eita. 

houve um momento em que ela não acreditou.
“será que eu posso ter sorte assim?”

assim.

ela olha pra ele no carro,
ao lado dela
musicas escolhidas a dedo,
tocando alto

e o sol batendo por trás da silhueta dele.
“fica bem ai que essa luz tá tão bonita”

clic.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Querida Amie,

Quando sua mãe estava no começo do relacionamento com seu pai, ela pintou o cabelo de azul - e que ficou verde - pra sair de uma barra. Ela tinha essa mania de artista, mesmo não parando realmente pra ser. Ela sempre foi verdadeiramente e inevitavelmente intensa. E nessa de querer viver a vida no seu máximo, de não falar “não”, de ir e se jogar e cair várias vezes de cara no chão, ela continuava indo e tentando outras cores outras ferramentas outros amores. Ela achava que era assim mesmo que tinha que ser a vida. Querendo muito, querendo mais, indo indo indo. E nessa…
Nessa, Amie, ela passou pela barra mais pesada da vida dela, onde ela finalmente aprendeu a olhar pra vida e estava pronta pra conhecer seu pai. Porque é quando você esta passando por uma barra que você enxerga. 
Isso pode te parecer um pouco pesado, de começo, mas você vai entendendo isso com o tempo - se já não entendeu. Mas, Amie, pra saber amar, precisamos estar prontos. Prontos para caminhar lado a lado com alguém, equilibrando isso com você mesma, e com a vida do outro. Temos que saber encarar as nossas falhas, os nossos erros, lidar com eles - e não empurrar a culpa pro outro. Precisamos estar prontos para apreciar cada vez mais a companhia do outro, e a fazer nada com ele, ou perto dele. Precisamos saber reconhecer o outro no nosso futuro, sem ficar ansiosa demais a ponto de desistir de seguir em frente. Precisamos, porque amar é importante, e amar inclui amar a nós mesmos primeiro, a ponto de só querer o que for bom pra nós, o que for leve. 
Amie, te escrevo na esperança de que você aprenda o que é amar, sem precisar passar pela mesma barra que a sua mãe passou. Sem passar por coisas até piores. Que você aprenda o que é amar, e ame sem medo. Ame intensamente, como sua mãe, que mesmo depois de olhar no fundo dos outros de alguém por alguns minutos e ser tomada de escuridão, amou. E desse amor, nasceu mais e mais amor. Porque pro amor, basta amar.

ps. Amie, pra mim, significa "amei", que é a ultima coisa que quero pensar quando a vida piscar na frente dos meus olhos. 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

das coisas que não se apagam

No fundo da tela a tal da mensagem:
minúscula em um celular
falava de um tal de amor imenso
nem pra ser em papel de carta
pra deixar amarelar

a mensagem piscava
pela luz escassa
rolando debaixo do meu dedo
essa tal de tela touch:
um toque e tudo pode desmanchar

E não haveria durex para remendos
nem papel picado no lixo
só um botão, e não haveria rastros
a tecnologia sem querer inventou amor etéreo:
a virtualidade deixou as palavras desnudas de corpos.

Posso deixar então, por ora
o amor amado
guardado na memória do aparelho
há outras coisas por dentro de mim
que precisaram ser arquivadas

Ah benzinho, de todas as palavras trocadas
de todos os exageros incontidos
de todo o silêncio confortável
essa mensagenzinha nanica
é a minha favorita.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

o homem mais alto do mundo

Ele era o homem mais alto que eu já havia visto na vida. Muito alto. Alto de não caber nos lugares, alto de ter que andar curvado no metrô, alto de tudo. Um gigante na terra de estaturas medianas. E como não ser notado? Aquela massona se deslocando pelos espaços, ocupando quase tudo, com sapatos quase irreais, imensos a pisar no chão, aquele olhar manso de bichão assustado, maldita indiscrição de tamanho. Tinha outros olhos diante do mundo, devia enxergar uma outra linha de horizonte, olhos que viam poucos olhos e muitos cucurucos, e sem querer, podia prever os futuros calvos. Ele devia ter também o maior coração do mundo - pra bombear tanto sangue, precisa de um super coração. Devia caber muita coisa naquele coração, naquele estômago, naquele corpo todo, caberiam uma de mim, 2 chineses, um cachorro e um canário, pra cantar, solitário na andança. Acho também que não podia pular, imagina? Perigosíssimo. Queria perguntar como era viver em um mundo que não fora feito pra ele, mas me contive para não ser mal educada. Mas é algo questionável, não? Como é estar em um mundo que não foi pensado pra ti. Ai tem que virar tatu, se achatar, tentar encontrar um desconfortável encaixe pra caber. Tem o mundo inteiro, mas tem que caber naquele espacinho que lhe rodeia por hora. Bom, acho que não é nada muito diferente do que fazemos todos os dias. Mas enfim, nossa, ele era o homem mais alto que eu já havia visto na vida.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Eu queria te tocar agora. Da mesma forma que se toca uma música, acompanhando o ritmo com notas que se seguiriam compativelmente numa contínua melodia. Crescente, sempre crescente, até que se acalma para um fim tranquilo, de pernas e pés entrelaçados... E assim, você e a gente... ficou tudo preso na minha cabeça igual a um bom refrão.

sábado, 25 de março de 2017

Oferece-me suas mãos vazias
enquanto brinca no meu corpo
de cavocar o peito
com uma colher.
Engole todos os pedacinhos de mim
na sua fome de afeto:
foi consumindo tudo
e ficou com um estômago repleto de mim.
Enquanto eu fiquei com ausência 
esparramada na cama
na espera de algo que preenchesse
minhas vísceras 
vazias
como suas mãos oferecidas.

domingo, 19 de março de 2017

devolve

devolve toda a ansiedade que senti quando ia te encontrar, todo aquele tempo que pareceu três vezes mais demorado naquela viagem de trem, devolve todo aquele frio na barriga por saber que iria te ver.

(eu já perdi coisa demais pra deixar essa saudade com você)

segunda-feira, 6 de março de 2017

Gosto de você 
até quando fecho os olhos
todos os dias
e todas as horas
preenchendo minuto por minuto
de candura e dor
de contrários avessos
de mudez crônica
de imenso e incorrigível
indelicado e mal-educado
amor.

(engulo arranhado: 
os olhos se embargam
não sei se de sede, fome ou falta
o corpo se esquece ali 
tudo desatina em sincero incômodo 
e tudo se confunde 
enquanto gesticulo frases mal resolvidas: 
balbucio nadas
grunho em mímica
pois não tenho coragem 
de romper o silêncio. 

outro dia eu me larguei encostada na janela do metrô, queria ser conduzida por caminhos retilíneos, queria observar as coisas fora de mim: espiava o mundo passar rápido, espiava o livro da mulher ao lado, eu
queria comer as páginas todas, meu estômago doía de fome, ele queria comer as páginas e me preencher de ecos alheios de um amor fictício. 
e que passa rápido. 


"pula no trem", "pula do trem".
deita na linha e espera. 
morreatropeladaeexplodeopeitooarrastandonochão.
para tudo virar a mesma coisa. 
os pedaços teriam gosto de choro.
daria para raspar
raspar tudo com uma colher 
e colocar em um pote: 
aflição em conserva
era só choro na vida, essa daí: 
o bom sempre me escorre
feito suor no corpo em dia de sol. 
brota dos poros e ensaia a queda
escapa na risada: 
por isso não estou muito de sorrisos
nem de risadas
nem de nada:
não sou de nada
tirando essa troglodice dita amor 
que insiste em me rasgar as paredes 
da boca
e do estômago).

sábado, 25 de fevereiro de 2017

sobre o peso das coisas

Navego sem saber se o que me embrulha o estômago é o curso do barco ou as sílabas que se agitam furiosamente querendo criar falas para sentimentos mal-entendidos. Brotam na garganta com uma voz estranhamente conhecida, mas saem do corpo como que em outro idioma - eu não entendo o que quero dizer a maior parte das vezes.

Both just wanted a happy end,
and they collided into each other.