segunda-feira, 6 de maio de 2013

dos gestos

As palavras já tomam formas diferentes em nossas conversas. E tomam formas mais diferentes ainda quando não se dá pra dizer perfeitamente o que se tem do lado de dentro. E dentro de mim, as coisas se atropelam e nada para pra ser dito. Entende? Enquanto eu o observo cresce um amontoado abstrato de sensações. E eu poderia só olhar: a linha dos seus olhos, o contorno da sua boca, a textura da pele nos seus ombros e pescoço, a luz brincando com os cabelos; passam lentamente pela minha retina distraída nos detalhes. Das vezes que o som da minha voz volta forte, a velocidade segue seu curso normal em volta, e como num tropeço eu só lhe falo, repito... as mesmas palavras. É tudo que eu consigo pensar nos intervalos de distração por admiração. E cada toque dele, olhar e palavra, tem ênfase. O que ele faz com naturalidade chega feito um exagero aos meus sentidos, todos rendidos.

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