terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O pingo dos 3 i´s.

Agora que está tão próximo eu vejo, ainda como que em um filme de época desgastado, esses tortuosos 6 anos. Eu vejo também como o ser humano é adaptável e sugestivo. "Dói no início, depois acostuma" A frase que soava absurda, foi aos poucos sendo incorporada e, no final, estamos acostumadas. Percebe como o tempo da colocação anterior está confuso? Então eu acertei na hora de formular. Ela é bem apropriada pra expressar realmente o que foram esses 6 anos aqui. Tempos confusos! De dúvidas, medos, lugares vazios, questionamentos, saudade, arrependimentos, espera, esperança. E não teria como narrar, de nenhuma forma, os 2.190 dias em que você não estava presente. Nem nossos três olhares juntos irão te dizer. Os aniversários perdidos, as fotos com o lugar desocupado, as nossas formaturas, as várias mudanças, a minha adolescência chata, os domingos sem almoços exorbitantes, os Natais apagados, meu primeiro porre, a segunda cama vazia, todos os animais que aqui passaram, os namorados, os costumes deixados pra trás, a luta diária de uma mulher, nossas conquistas, nossas perdas e por conseqüência, todo o nosso amadurecimento. Nada disso alguém poderá contar. Nem aqueles que se ocuparam tão bem na função de especular, opinar e nunca estender uma mão. Lembra da menina de uniforme? Ela já é mulher. Perdeu alguns quilinhos, cresceu, não largou os tênis e agora vai ser professora. Já tem noção da situação, quando a convém da uma de "Alice" e vai continuar precisando de ti pra matar os insetos voadores. A mais velha, a miss simpatia, só aperfeiçoou valores. Continua sendo a leonina teimosa que sempre foi. Não ganhou a mobilete, mas ganhou muita personalidade. Tem casa, carro, marido e muitos sapatos no armário. Acho que foi ela quem ocupou o lugar de homem quando fosses embora. E você ainda vai precisar continuando dela pra te fazer rir. Já aquela velha guerreira que te deu tchau naquele junho, é ainda maior. O olhar guarda um pouco de cansaço, talvez cansado pela solidão, mas ela já não fuma mais. Trocou o cigarro por força quando perdeu, sem desejar, o melhor amigo. Continua sendo o centro das atenções onde quer que vá, e foi ela quem manteve as estruturas de tudo que vais ver por aqui. Sabe, ela não teve que exercer só o teu papel, não. Ter duas filhas mulheres e ainda geniosas como as suas, pode servir como a penitência de um grande pecado. Precisa-se ser mãe, pai, médico, psiquiatra, bruxa e às vezes até se fazer de morta. Mas ela sempre deu conta do recado. Dos teus, dos meus, dos nossos. Sempre caminhou junto, foi tua cúmplice e aquela que te deu segurança na hora de partir. Você sempre soube que estávamos nas mãos mais fortes desse mundo. Que ela era a garantia de que quando você voltasse as duas meninas estariam bem educadas, fortes, coradas e com o famoso laço rosa de tule na cabeça. Mas será que foi essa certeza que te deixou demorar tanto então? Claro que não! Nunca culpamos os heróis. Nessa história injusta, em especial, todo o referencial de família, educação e persistência foi culpa dela. Que nos permitiu voar longe, sempre embaixo de sua capa. Que nos cedeu superpoderes para agüentar todas as malditas dificuldades que passamos. E não pense que estou te apagando desse processo! Graças a ti todo mundo aqui se tornou mais forte e certamente não há situação que nos derrube. O período serviu também pra mostrar que nós quatro temos só a nós quatro. Casa-se com estranho mesmo, mas o estranho acaba se tornando o pai dos teus filhos, com genes iguais àqueles da tua maior riqueza e essa conexão é pra sempre. Minha mãe sempre disse: "haja o que houver, respeite sempre teu pai", "teu pai é o melhor pai do mundo". E agora eu não sei ao certo se te amo tanto devido aos conselhos de minha mãe, ou se é porque dormiu comigo durante quase 16 anos da minha vida, quando monstros e ladrões moravam no meu quarto. Não sei se te acho realmente o melhor pai do mundo por isso, ou porque nunca me deixou faltar nada. Não que eu ache que telefonemas alternados na semana compensem a falta que tua figura fez bem na hora em que eu resolvi crescer, não. Mas o destino fez com que longos períodos se tornassem curtos pra mim. E no que diz respeito à proporção, vejo que os anos que temos pela frente somam muito mais que 6 anos. Você estará nos 6 anos dos meus filhos, no meu aniversário de 6 anos de casada, quando eu pagar a 6ª parcela da minha casa própria, e você estará no próximo dia 6 (...). Eu não quero recuperar tempos perdidos, pai! Eu espero que agora possamos construir juntos novos tempos. Nós 4 e a certeza, nascida junto com muita saudade, de que somos invencíveis quando lutamos juntos. Tomara que você se orgulhe do que hoje somos e que eu veja no teu semblante tudo aquilo que completa essa casa. Não como antigamente, mas como agora. Vai ser uma família legítima só depois de passar por certas situações, mesmo. Mas chega, acabaram as férias. Agora volta para o teu lugar...

Um comentário:

  1. primeiro:deixa essa porra pra comentários livres. toda vez tenho que me logar.
    segundo:não é uma porra, é teu blog, que respeito muito.
    terceiro: cê tá falando de quem, Pê? tá escrevendo feito gente grande, tu anda me surpreendendo cada vez mais. cada vez mais te admiro.
    quarto:é onde dormimos.
    quinto:dos infernos.
    sexto:é onde guardamos roupas sujas.
    sétimo:sentido, é o que não tenho.
    oitavo:VOCÊ TÁ ESCREVENDO MUITO BEM, PRA CARALHO!
    nono:essa história aí de "Amigos do Piratinha" tem causado certa repercussão. ando pelas ruas esmeraldinas recebendo elogios, sugestões (logo descartadas, faço da minha maneira, porra!), críticas, conselhos pra eu escrever um livro (que ouço desde o colégio), e outras coisas mais...
    décimo:quando tu me responder no msn eu lhe conto um pouco sobre. coisas que só nós, que criamos e recriamos sentimos. coisas do tipo.
    sem falar da responsabilidade.
    décimo primeiro:claro, se for do teu interesse.

    um beijo, Panção!

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