terça-feira, 8 de abril de 2008

O nem tanto pior

Tirou a maquiagem com a mesma vontade de que a colocou: nenhuma. O desânimo aumentava a cada peça de roupa que trocava, e a vergonha dissolvia o resto de força para subir as escadas, atravessar o palco sujo e com o menor sorriso que lhe coubesse na cara cumprimentar quem lhe veio prestigiar de surpresa. Não encontrou um olhar de satisfação sequer. O dia amanheceu estranho, se arrastou assim durante toda a tarde e encostou do mesmo jeito na noite. Um grupo todo, no precipício pessoal de cada um, e na superfície de vida dos últimos finais de semana, respirava junto na pausa eterna da falta da deixa. Sofreu com a pressão de um poeta, que caída ficou no chão. Desembaraçou situações de nó cego. E o pior deles, ainda é um grande melhor. Parece que sempre terá uma segunda chance de surpreender o mundo todo. Mas os dias acabam, as semanas acabam, e as temporadas também. Grupos se separam, e os passos seguem por caminhos alheios. De um objetivo só, difundiu-se os focos de cada um, mas ela ainda pode lhes contar essa tal história. Dos graves fortes para os agudos estridentes, do baixo para o alto, os sons da vida se juntaram, e o silêncio se desfez em uma só nota, ainda que desafinada. A atriz aprendeu assim, a cantar.

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