quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Um tanto eu, outro tanto você.

Mentiras na solitária.

Agora você me deixou com medo, sabia? Acende a luz, por favor, juro que não te peço mais nada nessa vida. Sabe, você tem que entender que se estiver claro será mais fácil correr até os seus braços. No escuro eu posso tropeçar, esbarrar e cair de novo e nunca mais alcançar nem sequer os seus pés. Talvez eu corte o joelho. Talvez eu use band daid. Mas eu não vou me arriscar correr aqui, porque no escuro eu não consigo fazer os curativos adequados e sólidos o suficiente. (...) Parece que você não me ouve, parece que vai continuar se escondendo aonde quer que você esteja. Que saco, o escuro que estamos na minha mente já tem até forma física: Enorme, grande e imenso. Mas como um biscoito sem recheio, vazio. Entende agora porque você precisa acender a luz? Se eu conseguisse fazê-lo sozinha, eu faria. Mas você sabe que não... Tatear já está me cortando as mãos, ouvir está me tapando ainda mais os ouvidos e cheirar, ah, cheirar me enjoa. (...) Deixa eu te enxergar de novo, vai! Você não me responde, mas sei que ainda está aí. Eu sei que você tem medo do meu tamanho, mas sei que você não é nada pequeno. Juntos poderíamos encher essa sala de luz, mas é você que precisa pressionar o interruptor. (...) Parece que você vai desistir, prefere ficar escondido nesse escuro para sempre? É tão fácil. É só acender a luz. (...) Lembrei da luz que refletia nos nossos olhos quando nos olhávamos muito de perto. Talvez seja isso, talvez a claridade esteja aí! Vamos, olhe para mim meu amor. Por favor... Você não está olhando, eu sei disso, porque o mundo ainda parece estar mergulhado no molho inglês. Meu querido pense no colorido que vamos poder ver. Não sente falta dele? Eu sinto. Será que ainda lembra do contorno dos meus olhos e do branco dos meus dentes? É! Talvez seja isso. Talvez não seja a luz do olhar que nos falta, deve ser a brancura dos nossos dentes sinceramente felizes. Sorria, só um pouco. A escuridão é uma ótima oportunidade de rirmos sem parecermos ridículos (...) Nada? Será que eu tenho que fazer tudo sozinha sempre? Sei lá, eu sempre fazia você sorrir no silêncio do meu enorme amor por você e nas pausas entre os nossos melhores beijos. Você costumava sorrir pra mim, sem que eu dissesse nada. (...) Por que agora ta tudo diferente? Porque está jogando as trevas do seu incompreensível ser para cima de mim? Eu já não tinha dito uma vez que jamais faria suas cicatrizes voltarem a doer? Por que então, as minhas é que estão latejando? Por que, então, esconde tudo de mim? (...) Era no escuro que eu focava em apenas sentir o perfume, e tocar as suas partes mais loucas do corpo. Talvez esse tal de escuro não fosse tão mal assim. Não era, mas agora é! Eu sempre tive medo do escuro, mas depois que comecei a ficar com você ele me parecia tão bom quanto um dia de sol. Devo estar falando sozinha há horas, já não tenho tanta certeza se ainda está aí. Deve ter me deixado sozinha, é tão mais fácil fugir enquanto está escuro, mas presta atenção, você pode ter certeza que alguma hora entre tropeços e acertos eu vou achar a maldita luz e aí vou poder apontar pra você e dizer: Covarde! Você vai sentir meu dedo indicador te fuzilando. (...) Chega agora, chega de brincadeira. Acende a porra dessa luz agora, eu to ficando com muito medo. Oi? Ta aí ainda? Ai...

2 comentários:

  1. abre a janela, deixa a luz entrar. luz é vida. eu tenho medo do escuro.

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  2. haha, ao mesmo tempo q é "triste" ficou mó engraçado... se divertiu escrevendo, hein? hehe.

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