quinta-feira, 18 de junho de 2009

A la carte

Uma gota de perfume na ponta de seus delicados dedos, envolvidos na luva de seda lilás. Atrás das orelhas o cheiro, na frente deles um brinco de brilhantes esculpido por Deus. Arruma-se bem aquele que tem por quem se arrumar. Fita-se no espelho e ensaia o discurso de saudade, descobre os olhares que mais funcionam e se sente completamente amada. Encontro para as 10, debaixo da lua e acima das estrelas, restaurante caro e um gole de vinho para ir mais além. Ele chega, portando em sua mão esquerda uma aliança gigante que representa – pelo o que sabe – o amor incondicional, e uma união além da física. Ela se deparou com o modelo que não tinha igual em suas mãos, as mesmas mãos que ele apertava, beijava e dizia que eram as mais lindas do mundo. O espartilho em baixo do vestido começava a pressionar seu coração contra ela mesma. O ar faltava, a dignidade repudiava e os mandamentos não permitiam. Tentou se desligar do terno de linho que ele vestia elegantemente, da barba cerrada que na cama lhe era divindade e das promessas que a sua mão esquerda negavam. Levantou, deixou a cadeira cair e entendeu que aquilo não era direito dela. Andou de costas e pediu desculpa em lágrimas, anos de traição e um sentimento de culpa para o resto dos dias.

Um comentário:

  1. deus você escreve muito bem menina!



    parabéns! muito bom esse!
    espero que não seja dor sua... o_O

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