segunda-feira, 3 de setembro de 2012

amor de gaveta

Ela tinha por ele um desses amores que descrevem nos livros. De bambear as pernas, esfriar a barriga e sacudir o mundo todo. O mundo dela. Ele passava por ela e sacudia, e sacudia, e sacudia. Tanto, que um dia o mundo dela colidiu com o dele. Ouve uma explosão maior que o big bang, e aqui é onde a história de encheu de meteoros enfeitando o céu e firulas.
Criou-se então a paixão por cílios, costas delineadas, cabelo raspado e aquele rabisco verde bagunçado em volta das pupilas dele. Nasceu-se então a paixão por bochechas carnudas e vermelhas, pintas no pescoço, dedinho torto e aqueles dentes desproporcionais que tornavam o sorriso dela encantador. Não houveram brigas. Só amor, muito amor mesmo, a partir das 23:30. Mas brigas, nunca. Tão nunca que desentendimentos se enrolaram na garganta de cada um, até entalar e entupir o amor. 
Entrou-se num longo período de idas e vindas. Com lagrimas, com sorrisos enormes; com ausências, com abraços eternos; com saudades, com nostalgias; com pedidos pra ficar, com pedidos pra esquecer. Com vida além do amor, com amor por outras vidas. 

Empacotou-se então, um desses amores que descrevem nos livros, com todo carinho do mundo, em caixinha de madeira e um laço branco, e trancou-se na gaveta. 

E a chave? 
Se perdeu dentro das trocas confusas de olhares do ultimo encontro. Se fragmentou nos sorrisos rapidos das casualidades. Se extinguiu, então, nas palavras não ditas e na vontade de um abraço não dado. 

Ninguém nunca disse que era um livro com final feliz.

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